OEA declara fim da Guerra Fria nas Américas ao abrir as portas a Cuba

A OEA deu por enterrada definitivamente nesta quarta-feira a Guerra Fria no continente, ao abrir as portas, numa reunião, em Honduras, a um retorno de Cuba, quase meio século depois de sua exclusão.

AFP |

"A Guerra Fria acabou neste dia em San Pedro Sula", clamou o presidente hondurenho, Manuel Zelaya, depois de ser aprovada por unanimidade a resolução que reverte a decisão de 1962 de afastar Cuba, por ter aderido ao bloco comunista.

O embaixador do Brasil na Organização de Estados Americanos (OEA), Ruy Casaes, congratulou-se com a anulação de "uma relíquia que remontava àquela época" - uma decisão adotada quase 20 anos depois do fim da Guerra Fria.

"Não estamos interessados em velhas batalhas ou viver no passado", afirmou o encarregado para a América Latina do Departamento de Estado, Thommas Shannon, que chefia a delegação americana, depois da partida da secretária de Estado, Hillary Clinton.

Shannon afirmou que a decisão e os passos concretos já dados pelo governo de Barack Obama para aproximar-se de Havana em meses passados "representam a maior mudança de nosso enfoque sobre Cuba nos últimos 40 anos".

"A resolução de hoje dá resposta a uma divisão histórica" no continente, acrescentou Shannon.

"Não existem mais tabus dentro da OEA, todos os assuntos podem ser debatidos" depois desta quarta-feira, destacou o chanceler do Uruguai, Gonzalo Fernández.

O chanceler Nicolás Maduro da Venezuela afirmou que este dia marcará o início de "um novo tipo de relação entre as elites dos Estados Unidos e de nossos povos", citando conflitos de Washington com povos da América Latina.

Ao aprovar a resolução, a OEA deixa nas mãos de Cuba decidir se deseja ser reincoporada, para o que deve aderir aos princípios democráticos da organização, segundo o texto aprovado na 39ª assembleia que se encerra nesta quarta-feira em San Pedro Sula.

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