OEA, BID e Microsoft duplicam fundo para programa educativo na América Latina

Sonia Osorio Miami, 3 abr (EFE).- A Organização dos Estados Americanos (OEA), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a empresa Microsoft anunciaram hoje que duplicarão os fundos destinados a um programa educativo para deficientes e jovens em situação de risco na América Latina para que possam ser incorporados à força de trabalho.

EFE |

Os dois organismos multilaterais e a gigante da informática aumentarão de US$ 2 milhões para US$ 4 milhões os recursos para expandir o "Programa de Oportunidades para o Emprego através da Tecnologia nas Américas" (Poeta) e beneficiar cerca de 70 mil pessoas em quatro anos.

Luis Alberto Moreno, presidente do BID, destacou hoje a importância do programa em uma região onde 50 milhões de pessoas têm algum tipo de incapacidade, condição que de acordo com a OEA é uma das principais causas da pobreza na América Latina e no Caribe.

"Com nossa participação na expansão do Poeta, esperamos motivar mais companhias a abrir postos para as pessoas que sempre pertenceram a grupos em desvantagem em nossa região", disse Moreno em entrevista coletiva.

O anúncio foi feito durante o "Fórum de Líderes Governamentais das Américas", organizado pela Microsoft, em Miami, sob o lema "Criando oportunidades econômicas e sociais para as Américas".

O programa foi criado na Guatemala pela OEA e pela Microsoft em 2004, e atualmente apóia 50 mil pessoas em 50 centros localizados em 18 países, das quais aproximadamente 30% conseguiram um emprego.

Com o aumento dos recursos financeiros, o programa será expandido para Equador, El Salvador, México e Peru.

"Com este programa, estamos vendo o resumo do que devem ser as alianças público-privadas: olhar os temas sociais, o que é talvez a resposta mais efetiva para poder trabalhar neste mundo que tem tantas necessidades e limitações de recursos", disse Moreno.

Alfonso Quiñónez, secretário-executivo de desenvolvimento integral da OEA, afirmou que dos 50 milhões de latino-americanos sem preparação tecnológica, cerca de 80% estão desempregados e em torno de 85% vivem na pobreza.

"Por isso a OEA e o 'The Trust for the Americas' (filiada ao organismo multilateral), consideram muito importante trabalhar para aliviar as necessidades deste grande setor de nossa população que muitas vezes é esquecido", ressaltou.

Embora tenham conquistado "grandes êxitos", Quiñónez acrescentou que ainda há muito a ser feito neste campo, um aspecto reconhecido também pelo BID e que apóia o programa mediante o Fundo Multilateral de Investimentos (Fomin).

O Poeta fornece acesso a computadores e treinamento a deficientes e procura ligações com empresas que ofereçam trabalho a essas pessoas, explicou Orlando Ayala, vice-presidente do grupo de desenvolvimento para mercados emergentes da Microsoft.

"O objetivo é que pelo menos 40% das pessoas que participem do Poeta consigam um emprego", afirmou.

Um dos beneficiados é o peruano Elmer Rozas, de 43 anos, deficiente desde os três anos em decorrência de uma poliomielite, e que desejava ser locutor em uma emissora de rádio em Cuzco.

Rozas relatou na entrevista coletiva que o programa chegou a sua vida no momento em que necessitava aprender mais sobre o uso da tecnologia, importante para seu trabalho.

Quando começou a estudar em um centro do programa, pôde sugerir à rádio que mudasse o formato tecnológico.

"Com satisfação, posso dizer que sou uma das pessoas que motivou meus colegas de rádio a transformar a tecnologia em um elemento básico para a comunicação", disse Rozas.

O peruano assegurou que após participar do programa, o "impossível já não existe" para ele.

Ayala destacou à Agência Efe que o programa também oferece ajuda a jovens que não tiveram a oportunidade de estudar e "terminaram no crime, na guerra, na prostituição ou no mundo das drogas". EFE sob/mac/fb

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