Ode a Stalin no metrô de Moscou cria polêmica na Rússia

A Rússia deseja reabilitar Stalin? A aparição de uma frase glorificando o ditador em uma estação de metrô de Moscou gerou controvérsia, no momento em que o governo do país acusa o Ocidente de minimizar o papel da antiga União Soviética na Segunda Guerra mundial.

AFP |

Desde terça-feira, a frase "Stalin nos educou na fidelidade ao povo, nos inspirou o trabalho e as façanhas" aparece em grandes letras na coluna que adorna a entrada da estação Kurskaia, no centro de Moscou. As palavras haviam sido retiradas do local há 50 anos.

Ironias do destino, a frase foi retirada do antigo hino soviético, cujo autor, Serguei Mijalkov, poeta e fervoroso fã de Stalin, faleceu nesta quinta-feira aos 96 anos.

A iniciativa, no entanto, não pretende glorificar o ditador e sim devolver à estação seu aspecto histórico, explicou o diretor da empresa que adminitra o metrô moscovita, Dmitri Gaev.

"As obras permitiram apresentar aos passageiros exatamente o mesmo local que viam seus pais e avós nos anos 50", declarou ao jornal Vremya Novosteï.

Mas a volta da frase provoca grande controvérsia nos meios liberais russos, que consideram que as atuais autoridades do país têm uma relação ambígua com o ditador, com acusações de que gostariam de reabilitar a memória de Stalin para justificar assim suas inclinações autoritárias.

"É algo escandaloso!", declarou à AFP Serguei Mitrojin, um dos líderes do partido de oposição Iabloko.

"Vamos exigir que esta frase vergonhosa seja retirada e vamos conseguir", afirmou a ex-dissidente soviética Liudmila Alexeeva.

"Os que fizeram isto têm um excelente olfato, sabem que as tendências vêm de cima. (O primeiro-ministro Vladimir) Putin restaurou o hino stalinista e simpatiza com Stalin", completou.

"Enquanto não compreendermos todos que Stalin representa a ditadura, o terror, a mentira contra o próprio povo, enquanto não nos livrarmos dele, não poderemos nos tornar um Estado democrático", concluiu Alexeeva.

O nome de Stalin, fundador da superpotência soviética e apresentado como um símbolo de uma Rússia vitoriosa, mas também responsável por punições que provocaram milhões de mortes, está voltando à retórica política na Rússia.

A popularidade dele continua grande: ele apareceu em terceiro lugar na lista de heróis da história russa, em uma votação pela televisão.

A situação acontece ao mesmo tempo que alguns políticos russos protestam contra o que chamam de tentativas ocidentais de reescrever a história e de minimizar a contribuição da URSS na derrota do nazismo, durante a Segunda Guerra Mundial.

or-ahe/fp

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