Ocupação de terras no Paraguai gera divergência entre grupos que apóiam Lugo

Assunção, 20 mai (EFE).- As ocupações de fazendas que se intensificaram na última semana no centro do Paraguai geraram hoje divergências entre alguns dirigentes dos grupos que apóiam o presidente eleito, Fernando Lugo.

EFE |

O senador Juan Carlos Ramírez Montalbetti, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), defendeu diante de jornalistas a postura adotada na véspera por seu partido devido às invasões de fazendas realizadas por grupos de "sem terras", principalmente no departamento de São Pedro (centro).

"Nossos camponeses têm que se transformar em produtores, é preciso deixar de torná-los vagos (...) porque os colocam nas terras e depois não os dão ferramentas para prosseguir", afirmou o legislador do PLRA, agrupamento presidido pelo vice-presidente eleito, Federico Franco.

Esse partido faz parte da Aliança Patriótica para a Mudança (APC), coalizão de ampla diversidade ideológica que favoreceu Lugo nas eleições gerais de 20 de abril e colocou fim a 61 anos de Governo do Partido Colorado.

Os membros do diretório do PLRA expressaram em comunicado "sua mais firme condenação à invasão de propriedades e a todo ato de violência ou violação das leis nacionais" e instou o Governo de Nicanor Duarte, que delegará o mandato em 15 de agosto, "a cumprir e fazer cumprir com firmeza as normativas que protejam o investimento privado".

Por sua vez, Camilo Soares, secretário-geral do Partido do Movimento ao Socialismo (P-MAS), considerou que a postura do PLRA se contrapõe à do presidente eleito e à de outros dirigentes da APC.

Lugo reiterou durante uma visita no domingo passado a São Pedro - onde foi bispo durante dez anos e onde está ocorrendo a maior parte das ocupações - que a exigência dos grupos dos "sem terras" é legítima.

No entanto, rejeitou na ocasião a atitude de alguns cultivadores que atearam fogo em uma bandeira brasileira, em repúdio aos colonos brasileiros que se dedicam nessa região ao cultivo mecanizado de soja e à pecuária, e cujos terrenos também estão sendo ocupados.

A Mesa Coordenadora Nacional de Organizações Camponesas (MCNOC), que integra a APC, assumiu a responsabilidade por 17 ocupações nos últimos dias - que em geral são pacíficas e duram pouco tempo - para reivindicar 50.000 hectares para seus integrantes.

Por outra parte, Andrés Ferreira, promotor do departamento de Misiones (sul), confirmou que foi despejado de forma pacífica um grupo de lavradores que invadiram, na véspera, a fazenda de um conhecido criador de gado, cuja propriedade já foi invadida em três ocasiões. EFE rg/fb

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG