Ocidente e AIEA pedem ao Irã transparência sobre programa nuclear

Jordi Kuhs Viena, 27 nov (EFE).- A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e as potências ocidentais pediram hoje ao Irã que coopere mais e ofereça toda a transparência para esclarecer as dúvidas sobre seu controvertido programa nuclear.

EFE |

O diretor-geral do organismo, Mohamed ElBaradei, afirmou que se o Irã não oferecer essa transparência e não permitir inspeções sem aviso prévio, a AIEA "não poderá dar garantias sobre a ausência de materiais e atividades nucleares (suscetíveis a serem usados para fins bélicos)" nesse país.

Na abertura de uma reunião do Conselho de Governadores do organismo, o responsável da AIEA se referiu assim às suspeitas de uma possível dimensão militar do programa nuclear iraniano.

Essas suspeitas surgiram de acordo com a documentação apresentada por Estados Unidos e outros países no ano passado.

Teerã considera que esses documentos são falsos, enquanto os inspetores da AIEA afirmam que eles poderiam ter fundamento.

Por sua vez, a Presidência francesa da União Européia (UE) destacou hoje que a situação é "extremamente preocupante".

"A ausência de qualquer tipo de cooperação do Irã com a AIEA sobre questões tão graves é incompatível" com as pretensões do país "de exercer legalmente seus direitos no marco do Tratado de Não-Proliferação" Nuclear TNP, disse a delegação francesa em nome da UE.

No mais recente relatório sobre o Irã, a AIEA destaca que Teerã não suspendeu, como exige o Conselho de Governadores e o Conselho de Segurança, seu programa de enriquecimento de urânio, um material de possível duplo uso, militar e civil.

Por sua vez, os EUA destacaram hoje que o "déficit de confiança (com o Irã) é tão profundo que é muito difícil de superar".

O embaixador americano na AIEA, Gregory Schulte, destacou que o Irã tem duas opções: não cooperar e se isolar ainda mais, ou cooperar e facilitar assim um acordo para o conflito.

O Irã, que há meses não responde a nenhuma das perguntas dos inspetores sobre uma possível dimensão militar de seu programa nuclear, afirmou que o trabalho da AIEA foi "politizado" por Washington e seus aliados.

Por isso, o embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, advertiu que "a credibilidade, autoridade, integridade e independência da AIEA estão em risco" e pediu o fim deste "perigoso processo, antes que seja tarde demais".

Enquanto os EUA e a UE temem que o Irã use seus conhecimentos de enriquecimento de urânio para fins militares, Teerã alega que só tem intenções pacíficas como a geração de energia elétrica e aplicações médicas.

Por outro lado, ElBaradei confirmou hoje em Viena que uma instalação bombardeada na Síria por Israel no ano passado era similar a um complexo nuclear.

Essa análise se baseia nas imagens feitas por satélite logo depois do ataque, ocorrido há 15 meses.

ElBaradei criticou os Estados-membros do organismo por não terem lhe proporcionado estas imagens com maior adiantamento, um feito que classificou como "lamentável e misterioso".

Segundo ElBaradei, a infra-estrutura do lugar, como as bombas de água e a forma dos edifícios, é "similar ao que se pode encontrar em relação a um reator nuclear".

Além disso, em uma visita dos inspetores da AIEA em junho foram encontradas "quantidades significativas" de urânio produzidas através de um processo químico.

A Síria afirma que a instalação atacada pela aviação israelense era um complexo militar convencional e que as partículas achadas procedem do armamento utilizado no ataque.

Para poder esclarecer a origem desse urânio, ElBaradei pediu hoje à Síria que permita novas inspeções em localidades próximas à instalação bombardeada, o que Damasco rejeitou.

Os EUA asseguram que a Síria construiria um reator nuclear com fins militares, algo que o Governo do país árabe nega.

A reunião do Conselho de Governadores termina amanhã com deliberações sobre as atividades nucleares da Síria. EFE jk/ab/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG