Ocidentais cada vez mais pressionados a retirar suas tropas do Afeganistão

À medida em que se acumulam os danos colaterais e as vítimas civis e militares no Afeganistão, aumenta a pressão sobre os governos ocidentais envolvidos no conflito, que vão convocar uma conferência com o objetivo de começar a preparar uma retirada.

AFP |

Para Dominique Moisi, do Instituto Francês das Relações Internacionais (IFRI), "a opinião pública não aceita mais um cenário em que as mortes são inúteis e os próximos passos, incertos".

Este sentimento de hostilidade, alimentado pelos partidos oposicionistas, explica a intenção de Paris, Berlim e Londres de convocar, até o fim deste ano, uma conferência internacional. Segundo Paris, o objetivo é "fazer evoluir" as relações entre Cabul e a comunidade internacional, depois da "nova etapa" da eleição presidencial de 20 de agosto.

Dias depois de um bombardeio da Otan, efetuado a pedido de um oficial alemão, ter matado vários civis no fim de semana passado perto de Kunduz (norte), a chanceler Angela Merkel pediu uma "aceleração do ritmo" para levar o futuro poder a "assumir progressivamente a responsabilidade" do país.

Merkel exigiu a definição de metas precisas e uma verificação dos resultados. A ideia é "reduzir a participação internacional", afirmou.

Na Grã-Bretanha, a rejeição à guerra no Afeganistão aumenta a medida em que cresce o número de mortos entre os militares. Mais de 200 soldados britânicos perderam a vida no país desde 2001.

Nos Estados Unidos, mais de seis em cada dez americanos são contrários à guerra, que já provocou a morte de 184 militares americanos este ano.

Alguns especialistas americanos já traçaram um paralelo entre o conflito atual no Afeganistão e a guerra no Vietnã. No entanto, o governo do presidente democrata Barack Obama já enviou 21.000 soldados suplementares ao país, e pode pedir novos reforços. A opção é aprovada por apenas 24% dos americanos.

Os britânicos permanecem divididos sobre a legitimidade do conflito. Segundo um estudo publicado em julho, 47% deles são contrários à guerra no Afeganistão, enquanto 46% a aprovam. De acordo com outro estudo, publicado em agosto, 82% consideram que o governo não presta apoio suficiente a seus soldados, e 57% acham que chegou a hora da retirada das tropas.

Os governos do Canadá e da Austrália, que também tiveram vítimas militares no Afeganistão, têm cada vez mais dificuldades para justificar sua presença neste país.

Na Alemanha, 61% a 69% das pessoas querem a retirada das tropas do país, segundo pesquisa publicada no início de julho.

Na Polônia, 60% dos habitantes são a favor da retirada.

Na França, segundo um estudo publicado no dia 19 de agosto, 64% dos franceses são contrários à manutenção de tropas no país.

A situação é menos complicada na Itália, na Espanha e na Romônia, onde o tema do conflito afegão não está no centro das preocupações dos habitantes. Na Dinamarca, 62% das pessoas aceitam a permanência das tropas.

jlv/yw

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG