OCDE prevê recuperarão lenta da crise

Paris, 24 jun (EFE).- A queda da atividade econômica mundial, registrada desde o início do ano, chegou ao fundo do poço e sua recuperação será lenta, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

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A OCDE afirmou ainda uma reação mais rápida nos Estados Unidos e em algumas das grandes economias emergentes e mais dificuldades para a Europa e o Japão.

Este é o diagnóstico do relatório de perspectivas, publicado hoje pela OCDE. O secretário-geral, Ángel Gurría, comemorou o fato de que, pela primeira vez em dois anos, a organização não teve que corrigir para baixo as previsões globais feitas pelos 30 países-membros, no final de março.

Um dos elementos mais promissores do relatório é o fato de que a recuperação nos EUA foi adiantada para o final do ano e a queda de seu Produto Interno Bruto (PIB) deverá ser de 2,8% em 2009 (a previsão anterior era de queda de 3,5%). O PIB do país deve subir 0,9% em 2010 e não deve permanecer estagnado como se temia há três meses.

A China "já se está recuperando", destacou Gurría, e seu PIB terá um aumento de 7,7% este ano e de 9,3% no próximo, números superiores aos anunciados em março.

As previsões para Índia e Brasil também são melhores, apesar de que o Brasil registrará uma queda de 0,8% em 2009, antes de avançar 4% em 2010. A economia da Rússia, outro país emergente, também encolherá neste ano, mas de forma muito mais significativa (-6,8%), que, graças às matérias-primas, deverá experimentar uma alta em seu PIB de 3,7%, em 2010.

O panorama para Europa e Japão não é animador, cuja evolução este ano será mais negativa que a antecipado em março, embora em 2010 registre mudanças. No caso da zona do euro, a queda do PIB em 2009 chegará a 4,8%, seguido de uma estagnação em 2010. No Japão o declínio será de 6,8%, com um aumento de 0,7% em 2010.

Gurría atribuiu a previsão otimista para os EUA, comparada com a Europa e vários fatores, ao fato de que, no Velho Continente, a capitalização do sistema bancário "foi mais gradual", enquanto Washington colocou em prática um plano anticrise "muito importante".

Os europeus desenharam "um mosaico" de programas, nos quais "a estimulação foi muito mais modesta".

O secretário-geral insistiu que os estímulos fiscais não devem ser retirados até a recuperação econômica, mas também que é preciso estabelecer um dispositivo crível de absorção do déficit acumulado e de diminuição da dívida.

Segundo a OCDE, a saída da crise não impedirá que o desemprego em seus 30 países-membros continue aumentando e chegue a uma taxa de 9,9% da população ativa no final de 2010, o que significaria uma quantidade de 57 milhões de desempregados, 25 milhões a mais que o valor registrado no início da crise, em 2007.

A Espanha, com quase 4,5 milhões de pessoas sem emprego até o final do ano, será o mais afetado em termos relativos pela corrente de destruição de postos de trabalho, já que a previsão é que sua taxa de desemprego alcance 19,8%.

Gurría considerou que dada a fraqueza do restabelecimento econômico, os bancos centrais deveriam manter uma política monetária "expansionista", pelo menos até o ano que vem, ou seja, que não teriam que subir as taxas de juros.

O economista-chefe da OCDE, Jorgen Elmeskov, estimou que os países riscos "estão mais equilibrados" que há três meses, sobretudo porque as condições financeiras melhoraram e devem permanecer estáveis no resto do ano, sem excluir uma possibilidade de mudança para melhor ou para pior.

Quanto à ameaça de deflação, só o Japão causa preocupação, mas seu caso não é um fenômeno novo.

Elmeskov lembrou que não é possível antecipar qual será a cotação do petróleo e se limitou a afirmar uma hipótese de US$ 65 por barril e que uma alta de US$ 10 diminuiria o PIB da OCDE em 0,25 pontos.

EFE ac/pd

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