OCDE prevê piora na economia do Brasil

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê, em um relatório divulgado nesta sexta-feira, uma deterioração da situação econômica no Brasil no curto prazo. Mas as perspectivas para a economia brasileira, que deverá sofrer desaceleração, segundo a organização, ainda continuam sendo melhores do que a dos países ricos e grandes emergentes, que deverão registrar forte desaceleração, diz a OCDE.

BBC Brasil |

No novo relatório sobre o Indicador Composto Avançado (LCI, na sigla em inglês), a OCDE prevê que a economia brasileira deverá sofrer "desaceleração" nos próximos seis meses.

Nos estudos divulgados pela OCDE em dezembro e janeiro passados, baseados em dados relativos a outubro e novembro de 2008, as previsões da organização em relação ao Brasil eram, no entanto, de "leve desaceleração".

Para os cálculos do Indicador Composto Avançados (ICA), a OCDE se baseia em diferentes indicadores de movimentos econômicos de curto prazo ligados ao PIB. O nível de 100 pontos é utilizado como referência para classificar o nível de atividade econômica.

Os países que sofrerem queda e ficarem com ICA abaixo de 100 recebem a classificação de "desaceleração".

Dos 35 países analisados no ICA (29 países membros e seis não membros da OCDE), o Brasil é o único que escapa da previsão de forte desaceleração econômica.

"As perspectivas indicam um agravamento da situação econômica no Brasil, mas as previsões para o país não são tão negativas quanto a das demais economias analisadas", disse à BBC Brasil a assessoria de imprensa da OCDE.

No documento a OCDE afirma que o ICA caiu 1,8 ponto em dezembro na comparação com o mês anterior e está 5,4 pontos abaixo do nível registrado há um ano, o que caracteriza, segundo os critérios utilizados pela organização, "desaceleração econômica".

A queda no ICA registrada por países ricos e grandes economias emergentes, como a China, Índia e Rússia é bem mais acentuada do que a do Brasil. Por esta razão, esses países, na avaliação da OCDE, devem sofrer "forte desaceleração econômica" no curto prazo.

"As perspectivas em relação ao crescimento econômico das sete economias mais ricas do mundo atingiram os níveis mais baixos desde o choque do petróleo nos anos 70", afirma a OCDE, com sede em Paris.

O Brasil, a China, a Índia e a Rússia não integram a OCDE. O Indicador Composto Avançado da China caiu 2,4 pontos em dezembro e sofreu queda de 14 pontos na comparação com o período de um ano.

A Rússia apresenta a maior redução no período de um ano entre todos os países analisados no documento: o indicador do país caiu 17,7 pontos nos 12 últimos meses. Em dezembro, a queda foi de 3,8 pontos na comparação com o mês anterior.

O ICA dos Estados Unidos, de acordo com o relatório da OCDE, diminuiu 1,4 ponto em dezembro e está 9,5 pontos abaixo do nível registrado há um ano.

Na zona euro, a queda foi de 0,9 ponto em dezembro, mas o Indicador Composto Avançado caiu 8,2 pontos em relação aos últimos 12 meses.

No cômputo geral dos países que fazem parte da OCDE, a queda do ICA foi de 1,1 ponto em dezembro passado e de 8,2 pontos em relação ao nível registrado no prazo de um ano.

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