OCDE prevê forte desaceleração no Brasil nos próximos 6 meses

O Brasil deve continuar registrando forte desaceleração econômica nos próximos seis meses, segundo relatório publicado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) nesta segunda-feira. O relatório diz que, apesar de os países ricos continuarem sofrendo forte retração em sua atividade econômica, possíveis sinais de melhora começam a surgir na Itália, na França e na Grã-Bretanha.

BBC Brasil |

Na avaliação da OCDE, esses "sinais" não chegam a representar uma retomada da atividade econômica nesses três países, mas indicam "pelo menos sinais de uma pausa na desaceleração econômica".

"Na maior parte das outras grandes economias da OCDE, os Indicadores Compostos Avançados (ICA) continuam mostrando uma deterioração do ciclo de crescimento, mas a taxas menores", diz o relatório. Para a OCDE, os países ricos "continuam a registrar forte desaceleração econômica, mas a um ritmo menos intenso".

Para os cálculos do Indicador Composto Avançado, a OCDE se baseia em diferentes indicadores de movimentos econômicos de curto prazo ligados ao Produto Interno Bruto (PIB), como produção industrial, exportações e desempenho das vendas no mercado interno. O nível de 100 pontos é utilizado como referência para classificar o nível de atividade econômica.

Os países que sofrem queda e ficarem com ICA abaixo de 100 recebem a classificação de "desaceleração", que pode ser caracterizada como "forte" em função do número de pontos perdidos.

Para que haja retomada, os indicadores precisam aumentar e se situar acima de 100, o que não é o caso de nenhuma das 35 economias analisadas no estudo, incluindo a do Brasil, que não é membro da OCDE.

No caso do Brasil, a OCDE afirma que o ICA do país diminuiu 1,9 ponto em março e está 13,2 pontos abaixo do nível registrado há um ano.

O ICA do Brasil, segundo o relatório da OCDE publicado nesta segunda-feira, totaliza agora 92,7 pontos, um índice bem próximo ao da Índia, com 92,6 pontos, e ao da China, com 93 pontos.

China

Diferentemente do Brasil, da Índia e da Rússia, cujos ICAs caíram em relação ao relatório do mês anterior, o indicador da China registrou um aumento de 0,9 ponto em março, o que levou a OCDE a afirmar que o gigante asiático também dá sinais de estar passando por um momento de pausa na sua deterioração econômica.

Mesmo assim, o ICA da China ainda está 9,5 pontos abaixo do nível registrado há um ano.

O ICA da França, Grã-Bretanha e Itália também aumentou em março, segundo a OCDE.

O maior aumento foi na França. O indicador subiu 1,2 ponto, totalizando 97,9 pontos, e está apenas 2,7 pontos do registrado há um ano.

Na Grã-Bretanha, o ICA aumentou 0,3 ponto em março e está 5,4 pontos abaixo em relação ao mesmo período do ano passado.

Os Estados Unidos também devem continuar registrando forte desaceleração econômica no curto prazo, de acordo com o relatório.

O ICA dos Estados Unidos diminuiu 0,6 ponto em março, somando agora 89,9 pontos, e está 11,8 pontos abaixo do nível obtido há um ano.

No geral, o ICA dos países da OCDE, que reúne 30 economias, caiu 0,1 ponto em março e é 9,5 pontos menor na comparação com março de 2008.

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