OCDE diz que ajuda a montadoras é ineficaz

Um relatório da OCDE divulgado nesta terça-feira sugere que a política de conceder ajuda às grandes montadoras não é uma solução adequada para ajudar as grande economias a sair da crise. No lançamento do relatório Reformas Econômicas: Objetivo Crescimento em Paris, o economista chefe da organização, Klaus Schmidt-Hebbel, disse que iniciativas como as adotadas pelos governos de Estados Unidos, França, Japão e vários outros países europeus para socorrer a indústria automobilística são improdutivas e ineficazes para relançar o crescimento e enfrentar a crise econômica global.

BBC Brasil |

Segundo o estudo da OCDE, as políticas setoriais deveriam ser provisórias e somente se justificam se o setor representar um risco sistêmico para a economia como um todo.

"Temos que fazer a diferença entre os setores que são importantes para a economia e os que representam um risco sistêmico", afirmou Schmidt-Hebbel.

Segundo o economista chefe da OCDE, os setores que representam um risco sistêmico seriam aqueles em que uma forte retração da atividade poderia ter consequências negativas para toda a economia.

"Esse é o caso, por exemplo, do sistema financeiro", acrescentou. "Se os brancos quebrarem, por exemplo, teremos redução de crédito e impactos negativos sobre a produção e a atividade econômica como um todo."
O economista adjunto da OCDE, Jean-Luc Schneider, reiterou à BBC que a "análise é de que o dinheiro utilizado pelos governos para socorrer o setor automobilístico deveria ser utilizado de outra maneira, por exemplo, para financiar a formação de trabalhadores ou de pessoas que perderam o emprego ou para aumentar os investimentos em infraestrutura".

A indústria automobilística é uma das mais afetadas pela crise mundial. Somente na Europa, as vendas caíram 27% em janeiro, mas os países europeus não chegam a um consenso sobre a melhor maneira de ajudar o setor.

Países como a República Checa e a Eslováquia chegaram a criticar abertamente o plano francês, considerado " protecionista". Pelo menos oito países da União Europeia já anunciaram planos de ajuda à indústria automobilística, entre eles França, Itália, Alemanha, Suécia e Espanha.

O relatório publicado nesta terça-feira analisa as reformas adotadas pelos 30 países da OCDE e identifica as principais medidas que podem contribuir para superar a crise e reforçar o crescimento.

Durante apresentação do estudo, o secretário geral da OCDE, Angel Gurría, defendeu a coordenação entre medidas de emergência e reformas estruturais. "Não podemos perder de vista os efeitos a longo prazo", afirmou.

Entre as reformas recomendadas estão o aumento dos investimentos em infraestrutura, a promoção de programas de formação de trabalhadores, a redução do imposto de renda para as classes mais pobres e a liberalização dos mercados.

A OCDE também voltou a defender a redução dos subsídios agrícolas, principalmente nos Estados Unidos, na União Europeia e no Japão, e recomendou a supressão dos incentivos à produção de biocombustíveis.

"O recente aumento dos preços dos alimentos no mundo foi provocado principalmente pelas decisões de aumentar a produção de biocombustíveis", diz a entidade. "Paralelamente, nós duvidamos, cada vez mais, da eficiência dessas medidas para reduzir as emissões de CO2 e a dependência dos combustíveis fósseis."
Em entrevista à BBC, o economista adjunto da OCDE disse, no entanto, que - se a produção respeitar as regras de mercado, como parece ser o caso do Brasil - a promoção dos biocombustíveis pode ser positiva.

O texto também indica que os países devem dar prioridade para reformas que incentivem o crescimento econômico e estimulem a demanda, em detrimento de políticas assistencialistas.

Uma maior flexibilização da legislação trabalhista é uma das prioridades para quase todos os países do bloco. Para a OCDE, "uma proteção excessiva do emprego prejudica o dinamismo do mercado de trabalho, pesa sobre a produtividade e tem efeitos negativos para o emprego de certas categorias sócio-profissionais".

Durante a coletiva, Klaus Schmidt-Hebbel disse ainda que a recessão mundial será ainda mais forte do que prevê o Fundo Monetário Mundial (FMI) e que os efeitos sobre a "economia real" vão se agravar neste ano.

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