Santiago do Chile, 12 nov (EFE).- Astrônomos do Observatório de Paranal, na região desértica chilena de Antofagasta, informaram hoje a descoberta de uma bolha de gás ionizado de 10 anos-luz de extensão, cuja expansão provoca densas concentrações do material circundante que provoca nascimento de novas estrelas.

A causadora deste fenômeno é uma estrela situada em uma área chamada RCW120, a 4.200 anos-luz da Terra rumo à constelação de Escorpião, cujo centro está emitindo enormes quantidades de radiação ultravioleta, segundo um comunicado dos responsáveis deste projeto, denominado Atacama Pathfinder Experiment (Apex).

A radiação, asseguraram os estudiosos, produz a ionização do gás circundante, processo durante o qual se extraem os elétrons dos átomos de hidrogênio e se produz o brilho vermelho característico da chamada emissão H-alfa.

A onda expansiva desta zona ionizada, afirmam, se expande rumo ao espaço e a sua passagem varre uma camada de gás frio interestelar e do pó cósmico.

Esta camada torna-se instável e colapsa sob sua própria gravidade em densas concentrações, formando frias nuvens de hidrogênio onde nascem novas estrelas, comentou o Apex.

Quando as nuvens ainda estão muito frias, com temperaturas próximas aos 250 graus abaixo de zero, o frágil brilho que emitem pode ser visto em longitudes de onda submilimétricas, e isso permite estudar os períodos mais adiantados do nascimento e desenvolvimento das estrelas.

Este fenômeno foi captado pela câmara Laboca do telescópio de 12 metros do Atacama Pathfinder Experiment.

A sensibilidade desta câmara, localizada no plano de Chajnantor, a 5 mil metros de altitude no Deserto do Atacama, permitiu aos astrônomos detectar grupos de gás frio quatro vezes mais frágeis que os observados até agora.

Como o brilho permite medir a massa, os astrônomos agora podem estudar a formação de estrelas menos maciças.

No planalto de Chajnantor também está sendo construído um telescópio submilimétrico de nova geração, o chamado Atacama Large Millimeter-Submillimeter Array (Alma), que usará mais de 60 antenas de 12 metros conectadas umas às outras ao longo de 16 quilômetros para formar um único telescópio gigante.

O telescópio Apex, baseado em uma antena protótipo construída para o projeto Alma, é fruto da colaboração entre o Instituto Max Planck de Radioastronomia, o Observatório Espacial Onsala e a Organização Européia para a Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul.

EFE frf/jp

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