As duas maiores organizações internacionais que observaram as eleições no Sudão afirmaram neste sábado ter registrado problemas significativos, entre eles, denúncias de intimidação e coação. A chefe do grupo de observadores da União Europeia (UE), Veronique de Keyser, disse que o pleito não cumpriu todos os critérios internacionais, apenas alguns, enquanto o Centro Carter, liderado pelo ex-presidente americano Jimmy Carter, disse que o Sudão não cumpriu a obrigação de realizar eleições genuínas.

Em uma entrevista na capital sudanesa, Cartum, Keyser disse que o comparecimento às urnas foi alto, de cerca de 60%, mas que também foram registradas "deficiências significativas", como denúncias de intimidação e coação.

As apurações continuam no país, que realizou entre 11 e 13 de abril as primeiras eleições diretas em 24 anos. No entanto, vários partidos de oposição boicotaram o pleito, acusando o presidente Omar al-Bashir de supostas fraudes.

Por causa do atraso na entrega do material eleitoral, a votação atrasou e teve que ser estendida.

O ex-presidente Carter, no entanto, fez declarações conciliatórias, dando a entender que a Comissão Eleitoral Nacional (CEN) do Sudão fez o máximo para organizar eleições justas.

A postura irritou a oposição que acusa a CEN de favorecer o partido do presidente.

A expectativa é de que Bashir obtenha uma vitória confortável, principalmente depois de ele ter sido indiciado pelo Tribunal Criminal Internacional por supostos crimes de guerra na região de Darfur.

Ele usou o fato no início da campanha para denunciar a suposta interferência dos observadores internacionais.

O presidente sudanês é o primeiro chefe de Estado a ter uma ordem internacional de prisão emitida pelo tribunal.

A ONU acusa milícias árabes alinhadas com o governo de empreender uma campanha de limpeza étnica contra a população não árabe da região.

As Nações Unidas estimam que cerca de 300 mil pessoas morreram em Darfur em consequência da guerra, de fome ou de doenças.

Até hoje a guerra continua, e três milhões de pessoas vivem em campos de refugiados.

Bashir tomou o poder depois de um golpe de Estado em 1989. As atividades partidárias e sindicais foram proibidas durante dez anos, quando foi iniciado um processo de restabelecimento da democracia no país.

O presidente sudanês disse que aceitará o resultado do referendo de janeiro do ano que vem, ainda que a independência do sul seja aprovada.

Entretanto, observadores apontam que importantes áreas petroleiras se localizam justamente ao longo da divisa entre o sul e o norte. O temor é que uma possível mudança rumo à independência do sul leve a uma retomada dos conflitos civis.

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