Observadores dizem que eleições na Angola foram transparentes

LUANDA - As eleições legislativas em Angola, as primeiras desde o fim da guerra civil em 2002, foram concluídas neste sábado e, segundo afirmou um porta-voz da missão de observadores da África Austral, transcorreram de maneira transparente.

AFP |

"A missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) felicita o povo de Angola por suas eleições tranqüilas, livres, transparentes e confiáveis, que refletem a vontade do povo", declarou o chefe da missão de observadores da região, John Kunene.

No entanto, o chefe do principal partido angolano de oposição, Unita, declarou na noite de sexta-feira que o processo eleitoral passou por um dia caótico e pediu, junto com outros três partidos, a realização de novas eleições.

Depois de prorrogadas por problemas logísticos que impediram a conclusão da votação iniciada na véspera, as eleições foram retomadas nesete sábado e muitos eleitores se dirigiam aos 320 colégios de bairros pobres, os mais povoados da capital.

Apesar da desordem em alguns bairros de Luanda, milhões de angolanos foram às urnas, afirmou neste sábado o jornal estatal de Angola.

"Este alto índice de participação abre uma era de esperança para os angolanos", escreveu o jornal.

Mas a organização do pleito foi muito criticada pela missão de observadores da União Européia (UE).

"O que vimos em três locais de votação em Luanda é um desastre. Ainda não começaram a votar. Não estavam preparados", afirmou a coordenadora da missão européia, Luisa Morgantini.

O presidente José Eduardo dos Santos, de 66 anos e no poder desde 1979, votou pela manhã no bairro Cidade Alta da capital, onde fica o palácio presidencial.

A campanha foi qualificada de tranqüila pelos observadores, que no entanto denunciaram a onipresença do Movimiento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que está no poder desde 1975.

Cerca de oito milhões de eleitores votaram para eleger 220 deputados dos 14 partidos e coalizões políticas, entre eles o MPLA e a antiga rebelião da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

Os angolanos não votavam desde 1992, quando as eleições gerais foram realizadas graças a uma trégua na devastadora guerra civil gerada pela independência. Mas o líder da Unita, Jonas Savimbi, se recusou a aceitar os resultados que o davam como perdedor e retomou as armas. O conflito acabou somente quando ele morreu.

"Angola está numa situação completamente diferente", disse a AFP Rui Farcao Pinto de Andrade, diretor de Informação e Propaganda do MPLA. "Sairemos deste processo em paz olhando para o futuro".

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW, com sede em Nova York), expressou suas "dúvidas sobre a realização de eleições livres e justas em Angola, devido aos partidos da oposição e à imprensa".

O presidente Eduardo dos Santos negou há alguns dias estas acusações. "Alguns partidos têm dificuldades para transmitir suas mensagens e por isso falam de intolerância e de má vontade", afirmou.

Essas eleições foram uma prova de popularidade para o chefe do Estado angolano, antes da eleição presidencial de 2009, para a qual Santos ainda não é candidato oficial.

O presidente, em geral muito discreto, vem multiplicando há um mês as inaugurações de instalações públicas (hidrelétrica, hospital, escolas), insistindo no processo realizado em termos de reconstrução.

Angola, que dispõe de reservas de petróleo enormes, vem se beneficiando da alta dos preços do petróleo. Além disso, deve registrar crescimento econômico de mais de 20% em 2008. Com cerca de dois milhões de barris por dia, a Angola disputa com a Nigéria o primeiro lugar como produtor de petróleo do continente.

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