Observadores da UE duvidam da grande participação eleitoral em Ruanda

Kigali, 17 set (EFE).- A missão de observação eleitoral da União Européia (UE) nas últimas eleições legislativas em Ruanda disse hoje que apesar de o processo ter sido pacífico, a alta percentagem de participação - mais de 90% dos eleitores registrados - cria dúvidas sobre a transparência da apuração.

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"Em aproximadamente metade dos centros eleitorais observados pelos 101 representantes da UE, o procedimento e as regras não foram propriamente seguidos", disse em entrevista coletiva em Kigali o chefe da missão de observação européia, Michael Cashman.

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de Ruanda anunciou ontem os resultados provisórios das segundas eleições legislativas multilaterais de Ruanda, que deram à coalizão da Frente Patriótica Ruandesa (FPR) do presidente Paul Kagame 78,76% dos votos.

A missão da UE afirmou que estas eleições para a Assembléia de Deputados marcavam um importante passo no desenvolvimento democrático de Ruanda. Além disso, acrescentou Cashman, "constatamos melhoras significativas na qualidade dos candidatos".

"É possível observar uma promoção muito positiva da igualdade de sexos no Parlamento, graças ao fato de 24 cadeiras terem sido reservadas às mulheres. No entanto, os problemas encontrados na apuração apontam para uma necessidade de treino prévia para as futuras eleições, que serão as presidenciais de 2010", declarou.

A UE disse que a ausência de pluralismo nas vozes políticas - a oposição quase não teve espaço nos meios de comunicação durante a campanha - "deve ser entendida no contexto histórico de reconciliação nacional que Ruanda vive após o genocídio de 1994".

"O ânimo conciliador da população é o que garantiu o desenvolvimento pacífico das eleições ruandesas que, apesar de não terem produzido uma mudança no panorama do poder político, deram mostras da predisposição da população para cicatrizar os ferimentos do passado".

O pleito não terminou em Ruanda e amanhã será eleito o deputado que representará os deficientes físicos, como define o sistema político local.

A UE continuará observando o processo eleitoral e apresentará um relatório final quando forem divulgados os resultados definitivos, provavelmente em 25 de setembro. EFE pa/fal

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