Observadores da UE dão início a sua missão na Geórgia

Misha Vignanski. Tbilisi, 1 out (EFE).- A Missão de Observadores da União Européia (EUMM, em inglês) na Geórgia iniciou hoje oficialmente seus trabalhos na faixa de segurança que separa o território administrado pelas autoridades georgianas das regiões separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul.

EFE |

Da cidade de Bazaleti, a 40 quilômetros de Tbilisi, os observadores começaram a patrulhar a região em direção à Ossétia do Sul às 9h hora local (2h, horário de Brasília) em vários veículos, cada um com cinco pessoas.

Bazaleti e as cidades de Gori, Poti e Zugdidi acolhem os centros regionais da EUMM, cujo centro está em Tbilisi e cujos analistas devem substituir as tropas russas nas faixas de segurança em um prazo de dez dias.

O chefe da EUMM na Geórgia, Hansjörg Haber, explicou à imprensa que os observadores se reuniram com os militares russos que atualmente controlam as faixas de segurança para coordenarem alguns assuntos técnicos relacionados às missões de patrulha.

"Esperamos garantir o retorno dos habitantes georgianos das zonas de segurança a suas casas", declarou Haber sobre os civis expulsos durante a ofensiva militar russa lançada em 8 de agosto após o ataque da Geórgia à Ossétia do Sul.

Previamente, os observadores tinham se reunido com moradores na aldeia de Mujrani, perto da faixa de segurança, aos quais Haber explicou em russo que a EUMM procurará "garantir aos civis a possibilidade de atravessar livremente a fronteira e se comunicar com parentes e amigos no outro lado".

Vários observadores europeus, que vestem camisas brancas com emblemas da União Européia (UE) e de seus respectivos países, falam russo, o que facilita sua comunicação com habitantes deste país que integrou a extinta União Soviética e de suas regiões separatistas.

O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, visitou ontem Tbilisi para iniciar os trabalhos dos observadores civis europeus nas faixas de segurança.

Na capital georgiana, Solana participou da inauguração do centro da EUMM e também visitou Gori, cidade situada a apenas 20 quilômetros da Ossétia do Sul.

Solana também se reuniu com o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, a quem afirmou que a UE defende a integridade territorial do país caucasiano no marco das fronteiras reconhecidas internacionalmente.

Após chegar a Tbilisi, Solana se mostrou "otimista" com o fato de a Rússia retirar suas tropas da zona de segurança dentro do prazo estipulado com a UE, antes de 10 de outubro.

Por sua parte, Saakashvili defendeu uma "solução pacífica dos conflitos na Abkházia e na Ossétia do Sul dentro das fronteiras reconhecidas internacionalmente".

O presidente georgiano acrescentou que "a Geórgia nunca cederá no que se refere à violação da integridade territorial do país".

"A integridade territorial é um princípio inviolável. Não queremos construir muros, queremos manter relações civilizadas no século XXI", declarou.

A porta-voz de Solana, Cristina Gallach, declarou que a EUMM tem se posicionado "muito corretamente", "com total normalidade" e sem dificuldades para ter acesso às zonas estipuladas com os russos.

Para cumprir o objetivo de constatar a retirada das tropas russas das áreas estipuladas no acordo de cessar-fogo, os oficiais europeus coordenam seus movimentos com os russos, afirmou Gallach.

Os monitores "têm experiência em missões nada fáceis, nos Bálcãs, na América Latina e na África, e sabem como reagir em situações complicadas", acrescentou a porta-voz.

Segundo a Presidência francesa rotativa da UE, os observadores europeus permanecerão por pelo menos durante um ano nas áreas de segurança georgianas.

A EUMM, que não está armada, é formada por 352 pessoas, sendo 200 observadores propriamente ditos.

Segundo o acordo assinado entre Rússia e UE, os observadores europeus deviam assumir hoje as funções de segurança na faixa de segurança que separa o território georgiano administrado por Tbilisi das regiões separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul.

Enquanto isto, as tropas russas terão dez dias para abandonarem a região, na qual chegaram a contar com 25 pontos de controle militar.

Os observadores serão posicionados em Tbilisi, no distrito de Gori (próximo à Ossétia do Sul), em Zugdidi (na fronteira com a Abkházia) e na estratégica cidade portuária de Poti (no Mar Negro).

A UE também deseja posicionar observadores na Abkházia e na Ossétia do Sul, mas os presidentes das duas regiões separatistas se recusam a isto. EFE mv/wr/fal

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