Observadores afirmam que eleição na Rússia teve irregularidades

Manifestantes ocupam as ruas para protestar contra os resultados que dão vitória ao partido governista

iG São Paulo |

Observadores internacionais citaram nesta segunda-feira numerosas irregularidades nas eleições parlamentares que ocorreram no domingo na Rússia. A Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) disse que a votação foi tendenciosa em favor do partido governista, o Rússia Unida, com aparente manipulação, como a sabotagem das urnas.

Devido aos problemas apresentados, opositores ao atual governo foram às ruas nesta segunda-feira para protestar contra os resultados oficiais e para pedir uma nova votação. Dezenas de manifestantes foram detidos pela polícia.

AP
Membros do Partido Comunista agitam bandeiras durante protesto contra os resultados oficiais das eleições na Rússia
Saiba mais: Com revés eleitoral, partido de Putin perde facilidade para mudar Constituição

Apesar dos relatórios de entidades, o presidente Dmitri Medvedev rejeitou os apontamentos e disse que as eleições foram justas, honestas e democráticas. A votação parlamentar representou um revés para o partido de Vladimir Putin , que irá concorrer à presidência daqui a três meses.

Com 96% dos votos apurados, oficiais eleitorais disseram que o partido está abaixo dos 50%, número muito inferior aos 64% dos votos conquistados em 2007. De acordo com a Comissão Eleitoral Central, a bancada do Rússia Unida na Duma (câmara baixa) caiu de 315 para 238 deputados, o que representa uma apertada maioria no total de 450 parlamentares.

Esse resultado constitui o maior revés eleitoral para Putin desde sua primeira eleição como presidente, em 1999, mas numa reunião do governo na segunda-feira ele enfatizou que a maioria simples (226 deputados) basta para aprovar a maioria dos projetos.

Em um comunicado, um oficial da OSCE disse que as eleições, no geral, foram "bem organizadas" mas que contou com sérios problemas, principalmente no processo de contagem.

"A votação foi inclinada em favor do partido no poder, a administração eleitoral careceu de independência, a maioria dos meios de comunicação foram parciais e autoridades do Estado interferiram indevidamente em diferentes níveis", disse Petros Efthymiou.

Outra observadora, Heidi Tagliavini, disse que a legitimidade das eleições foi colocada em dúvida principalmente porque vários partidos de oposição foram impedidos de se registrar. "Para mim, essa eleição foi como um jogo no qual somente alguns jogadores puderam competir", disse.

Após o comunicado da OSCE, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, expressou "sérias preocupações" quanto à condução das eleições.

Oposição e 'ciberataque'

Partidos da oposição afirmaram que autoridades podem manipular a votação para garantir que o Rússia Unida ultrapasse a marca de 50% dos votos. Mikhail Kasyanov, um ex-premiê que hoje está na oposição, afirmou que Putin precisa do número para não parecer fraco. Entre as principais denúncias vindas dos opositores estão também a compra de votos.

"Recebemos milhares de ligações de oficiais regionais, confirmando muitas violações e fraudes", disse o vice-diretor do Partido Comunista, Ivan Melnikov, no site do partido. "Ao longo do dia, foi como receber relatos de uma zona de guerra."

Uma entidade de fiscalização financiada pelo Ocidente e dois órgãos de imprensa independente disseram que seus sites foram fechados por hackers na tentativa de silenciar acusações de fraude. Páginas pertencentes à rádio Ekho Moskvy, ao portal Slon.ru e ao órgão Golos saíram do ar por volta das 8 horas (horário local). "Grandes cyberataques estão ocorrendo no sites do Golos e no mapa mostrando violações," afirmou o Golos no Twitter.

Golos, o único grupo de observação eleitoral independente do país, disse que na cidade do Samara do Rio Volga, observadores e membros da comissão eleitoral de partidos da oposição foram impedidos de verificar se as urnas estavam seladas.

AP
Funcionários da comissão eleitoral esvaziam urnas em colégio eleitoral de São Petersburgo
Manifestações

Dezenas de opositores russos foram detidos nesta segunda-feira em Moscou ao tentar invadir a sede da Comissão Eleitoral Central (CEC), após participar de um ato de protesto contra os resultados das eleições parlamentares.

"Revolução", "Liberdade" e "Novas eleições", gritavam os ativistas, enquanto corriam para evitar serem presos pela tropa de choque da polícia, informam as agências de notícias russas. A polícia, equipada com escudos de metal, teve de interditar o acesso à praça Lubianka, em torno da qual se encontra o prédio da CEC e também da sede do Serviço Federal de Segurança (FSB, antiga KGB).

Outros manifestantes, em sua maioria jovens, bloquearam o trânsito durante vários minutos em uma das principais artérias da capital russa, o que motivou a intervenção das forças de segurança. Segundo o jornal online Gazeta.ru, os manifestantes detidos foram levados pela polícia em ônibus e transferidos a uma delegacia.

Entre os presos está o político opositor Ilya Yashin - articulador da passeata rumo à CEC -, além do blogueiro Alexei Navalny e de vários jornalistas.

As detenções ocorreram após o ato de protesto organizado pelo movimento opositor Solidarnost (Solidariedade) no bulevar Chistye Prudy, em Moscou, que contou com a participação de milhares de manifestantes. "Rússia sem Putin", "Vergonha" e "Putin, vá embora já", gritavam os manifestantes.

Diversos líderes de grupos opositores não parlamentares - que não puderam participar das eleições legislativas por terem registro negado como partidos políticos - subiram ao palanque para acusar a legenda governista Rússia Unida de cometer fraude nas eleições.

Em São Petersburgo, mais de 100 foram detidos por participarem de um protesto não autorizado contra os resultados da votação.

Com AP, EFE e BBC

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