Obras em Jerusalém abalaram relação de Israel com EUA, diz Hillary

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta sexta-feira ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que o anúncio da construção de novas casas em Jerusalém Oriental prejudicou a relação entre os dois países e a confiança dos EUA quanto ao comprometimento de Israel com o processo de paz.

iG São Paulo |


Segundo o Departamento de Estado, Clinton telefonou ao premiê israelense na manhã desta sexta-feira para "deixar claro que os Estados Unidos consideram o anúncio um sinal profundamente negativo sobre a abordagem de Israel para com a relação bilateral, e contrário ao espírito da viagem do vice-presidente (Joseph Biden, ocorrida esta semana)".

Um porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, disse que Clinton "reforçou que essa ação minou a confiança no processo de paz e nos interesses dos Estados Unidos".

Na terça-feira, Israel que pretende construir 1,6 mil novas casas em em Jerusalém Oriental. O anúncio foi feito durante uma visita de Biden a Israel e aos territórios palestinos e provocou constrangimento ao vice-presidente americano, que estava na região para tentar promover o início das negociações indiretas entre os dois lados.

O congelamento dos assentamentos judaicos em territórios palestinos é uma questão considerada crucial pelos palestinos para a retomada das negociações de paz.

Comprometimento

"A secretária disse que não pode entender como isso aconteceu, principalmente à luz do forte comprometimento dos Estados Unidos com a segurança de Israel", disse o porta-voz ao comentar a conversa telefônica.

"E ela deixou claro que o governo israelense precisa demonstrar não apenas por meio de palavras, mas com ações específicas, que está comprometido com essa relação e com o processo de paz", afirmou Crowley.

Na terça-feira, diante do mal-estar provocado pela notícia das novas construções, Netanyahu disse a Biden que "não sabia que o anúncio seria feito".

Nesta sexta-feira, ao falar do telefonema, Crowley foi questionado sobre se o fato de Clinton dizer que "não pode entender como isso aconteceu" significava que os Estados Unidos não aceitam a explicação de Netanyahu.

"Como nós já dissemos, nós aceitamos o que o primeiro-ministro Netanyahu disse. Mas, ao mesmo tempo, ele é o chefe do governo israelense e é o responsável em última instância pelas ações daquele governo", respondeu o porta-voz.

Questionado se o tom da conversa foi de irritação, Crowley disse: "Frustração seria um termo melhor".

Protestos

Também nesta sexta-feira, Israel proibiu os palestinos de saírem da Cisjordânia para o Estado judeu e para Jerusalém, e vetou a entrada de homens com menos de 50 anos na mesquita de al-Aqsa, ponto de conflito e lugar sagrado da Cidade Antiga.

AP
Palestino é preso ao tentar entrar em mesquita

Palestino é preso ao tentar entrar em mesquita

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, ordenou o fechamento total do território palestino da Cisjordânia por 48 horas, da meia-noite de quinta-feira até a meia-noite de sábado.

Quatro palestinos foram detidos por suspeitas de atirar pedras , e dois policiais ficaram levemente feridos em Jerusalém, disse um porta-voz da força policial.

O Exército israelense cerca sistematicamente a Cisjordânia por ocasião de cada festa judaica. Essa é a primeira vez em dois anos que a medida é adotada sem ter como motivação qualquer celebração em Israel.

O fechamento foi motivado por "razões de segurança", levando em consideração o risco de atentados, segundo o Exército.

Quarteto

O Quarteto para o Oriente Médio (ONU, União Europeia, Estados Unidos e Rússia) condenou a decisão de Israel. Em declaração, o grupo afirma que vai "acompanhar de perto os eventos em Jerusalém" e alertou sobre a possibilidade de adotar "novas medidas" se necessário.

Os membros do grupo mediador pela paz no Oriente Médio reiteraram que "a paz árabe-israelense e o estabelecimento de um Estado palestino independente é algo que interessa às duas partes, a toda a região e à comunidade internacional".

O Quarteto - que se reunirá no próximo dia 19 em Moscou para debater a situação do processo de paz do Oriente Médio - pediu que palestinos e israelenses "retomem com urgência o diálogo e promovam um ambiente que leve a negociações bem-sucedidas que resolvam as diferenças, incluindo o status de Jerusalém".

*Com informações de BBC, Reuters e AFP

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