Por Tito Belo DÍLI (Reuters) - A construção de um hotel de luxo perto de Díli, a capital de Timor Leste, revelou a existência de túmulos cavados com máquinas contendo restos de pessoas que podem ter sido mortas durante a ocupação indonésia no país (1975-99), informaram cientistas nesta quinta-feira.

Estima-se que 180 mil timorenses tenham morrido durante a ocupação, sendo cerca de mil só na época do referendo de 1999 que levou à independência do país, segundo a ONU.

Quando um empreendedor imobiliário recebeu aprovação para construir um hotel cinco estrelas na orla de Tibar, a oeste de Díli, o governo convocou um grupo de cientistas forenses australianos para estudar o terreno.

"Esta área tem sido citada por várias pessoas, por grande parte da comunidade em Díli, como tendo sido usada pelos indonésios como um local para descartar corpos", disse Soren Blau, do Instituto de Medicina Forense de Vitória (Austrália) e membro da equipe investigativa. "Nenhuma dessas histórias jamais havia sido verificada."

A equipe encontrou duas covas escavadas com máquinas, com cerca de 2 metros de profundidade. Uma delas continua sete esqueletos; a outra, dois.

A Anistia Internacional pede a criação de um tribunal internacional para investigar crimes cometidos durante a ocupação da ex-colônia portuguesa, mas o presidente José Ramos-Horta é contra.

(Reportagem adicional de Sunanda Creagh em Jacarta)

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