Objeção turca causa impasse na sucessão da Otan

ESTRASBURGO - A Otan chegou ao final do primeiro dia da sua cúpula sem conseguir definir um novo secretário-geral da aliança, devido às objeções turcas contra o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, apontado como favorito.

Reuters |


"Ainda não temos um consenso", disse na sexta-feira o porta-voz da Otan, James Appathurai, durante a cúpula de dois dias realizada conjuntamente por França e Alemanha nas vizinhas cidades de Estrasburgo e Baden-Baden. "A discussão irá continuar amanhã."

Rasmussen tem o apoio das principais potências europeias e dos Estados Unidos para suceder o holandês Jaap de Hoop Scheffer, cujo mandato termina em 31 de julho.

Mas o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, criticou o comportamento de Rasmussen durante a polêmica de 2006 envolvendo a publicação na Dinamarca de caricaturas alusivas ao profeta Maomé, o que provocou indignação e violência no mundo islâmico.

"Perguntamos por que ficamos presos a um único nome", disse Erdogan em entrevista coletiva na Turquia. "Busquemos novas alternativas e encontremos um novo nome. Isso não tem nada a ver com Rasmussen pessoalmente. Só não queremos que a Otan seja prejudicada."

A Otan realiza atualmente no Afeganistão a maior operação militar da sua história. A Turquia teme que a nomeação de Rasmussen exacerbe a hostilidade das populações islâmicas contra o Ocidente.

Questionada sobre a sucessão da Otan antes do início da cúpula, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, disse que Rasmussen é um excelente candidato e que ela faria campanha pelo colega.

Para que o candidato seja escolhido, é preciso a aprovação de todos os 28 integrantes da aliança.

O assunto seria discutido pelos participantes da cúpula no jantar de sexta-feira em Baden-Baden, mas mesmo antes disso fontes da Otan já admitiam que o processo deve ser adiado para junho.

"Como pode que aqueles que não contribuíram com a paz o façam no futuro? Isso naturalmente cria um ponto de interrogação para nós, e como resultado desse ponto de interrogação eu pessoalmente assumo uma visão negativa", afirmou Erdogan.

A Turquia está sendo representada na cúpula pelo presidente Abdullah Gul, cujo partido, o AK, tem raízes islâmicas. Gul, no entanto, não tem autonomia para decidir sobre a escolha do secretário-geral, o que caberá a Erdogan.

Ancara acha que Rasmussen ofendeu as sensibilidades islâmicas ao defender a publicação das polêmicas caricaturas. Além disso, a Turquia vê com insatisfação o fato de a Dinamarca permitir que seu território seja usado como base para as transmissões do canal curdo ROJ TV, estreitamente ligado ao grupo armado PKK, apontado como organização terrorista pelos EUA, pela União Europeia e pela própria Turquia.


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