Obedecer Ahmadinejad é como obedecer a Deus, diz clérigo do Irã

Por Parisa Hafezi TEERÃ (Reuters) - Um importante clérigo iraniano, visto como mentor espiritual do presidente Mahmud Ahmadinejad, disse que obedecer o chefe do governo do país é como obedecer a Deus, informou nesta quinta-feira o jornal moderado Etemad-e Melli.

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O aiatolá Mohammad Taqi Mesbah-Yazdi acredita que a autoridade do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, vem de Deus, não do povo.

Khamenei comanda um complexo sistema político e religioso, na condição de vali-ye faqih (jurisprudente), enquanto o presidente dirige os assuntos do dia-a-dia do governo do país.

"Quando um presidente é endossado pelo vali-ye faqih, obedecer o presidente é como obedecer a Deus", disse Mesbah-Yazdi, segundo informou o jornal.

Khamenei endossou rapidamente a reeleição de Ahmadinejad depois da votação de 12 de junho, que teve consequencia os maiores protestos antigovernamentais no país desde a Revolução Islâmica, em 1979.

Os candidatos derrotados dizem que a votação foi fraudada, alegação negada pelas autoridades iranianas, que acusam as potências ocidentais de terem fomentado a agitação pós-eleitoral.

Os moderados dizem que 69 manifestantes foram mortos nas manifestações, contradizendo os dados oficiais, que apontam 26 mortes.

Mesbah-Yazdi há tempos sustenta que democracia e eleições são incompatíveis com o Islã. Os aliados de Ahmadinejad negam que o presidente receba ordens do clérigo, que é um defensor do poder absoluto do líder supremo.

"Quando um presidente é endossado pelo líder supremo e se torna um agente do líder, a luz do líder também se projeta no presidente", disse Mesbah-Yazdi.

Mesbah-Yazdi é membro de um conselho eleito pelo povo e dominado pelos conservadores, a Assembléia dos Especialistas, composta por 86 clérigos muçulmanos xiitas com o poder de eleger ou remover o líder supremo. Mas apesar de seu poderoso mandato, a Assembleia nunca tentou destituir um líder nos 30 anos da República Islâmica.

Os seguidores de Mesbah-Yazdi têm amplo trânsito entre a Guarda Revolucionária e a força paramilitar Basij, formada por voluntários.

O chefe político da Guarda, Yadollah Javani, pediu a prisão dos candidatos derrotados Mehdi Karoubi e Mirhossein Mousavi, bem como o moderado ex-presidente Mohammad Khatami, por incitação à agitação pós-eleitoral.

A polícia e as forças de segurança do Irã sufocaram as manifestações e o Judiciário começou agora a julgar mais de 100 moderados, apesar dos danos que isso poderá infligir à legitimidade do governo e as relações do país com o Ocidente.

Pelo menos 200 pessoas permanecem na prisão, incluindo políticos proeminentes, ativistas, advogados e jornalistas.

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