Obama volta a dizer que reforma na saúde sairá mesmo com oposição

María Peña. Washington, 20 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assegura que a reforma no setor de saúde não aumentará os impostos para a classe média e que passará pelo Congresso apesar da resistência republicana.

EFE |

Em entrevistas a programas transmitidos hoje pelos canais "CBS", "CNN", ABC, "NBC" e "Univisión", Obama defendeu energicamente sua proposta para a cobertura médica universal, a ampliação de opções de seguros e a redução dos custos de saúde.

Só que a reforma de um sistema de saúde que movimenta US$ 2,5 trilhões, uma tarefa que os EUA arrastam há mais de 40 anos e cujo sucesso ou fracasso marcará a gestão de Obama, enfrenta uma batalha dentro e fora do Congresso.

Os conservadores criticam a intromissão do Governo e acusam o presidente de tentar impor um sistema socialista.

"Isso não é um plano radical. Simplesmente estou tentando responder o que todo mundo reconhece como um grande problema", assegurou Obama à "ABC".

Segundo Obama, a exigência para que todo americano compre um seguro de saúde não deve ser encarada "como um aumento dos impostos".

O presidente americano disse rejeitar "absolutamente" a noção de seus detratores de que os consumidores terminarão pagando os impostos e cotas estipuladas para as seguradoras e farmacêuticas nas propostas debatidas no Congresso.

Nos EUA, há cerca de 47 milhões de pessoas sem seguro médico e apesar do que investe em saúde (um sexto de sua economia), a qualidade dos serviços é muito mais baixa na comparação com outros países industrializados.

A Fundação Família Kaiser disse em seu site que um seguro médico custa a uma família média US$ 13.375 anuais, e o aumento de 138 % da última década supera amplamente o dos salários. Se não houver mudanças no sistema, adverte, o montante poderá chegar a US$ 30.083 em 2019.

Obama disse à "Univisión" que a "opção pública", na qual o Governo concorreria com empresas privadas, não está morta, mas que é apenas um dos elementos da reforma.

O presidente reiterou, da mesma forma que fez diante dos microfones da "CNN", que a reforma excluirá os imigrantes ilegais, com o que tenta apaziguar os conservadores.

O anúncio, porém, gerou protestos na comunidade imigrante, que o apoiou nas urnas em 2008.

Os imigrantes ilegais, como explicou, não poderão ter acesso a subsídios federais para comprar um seguro através de um programa de "troca" e a reforma deverá ter mecanismos para verificar a elegibilidade dos residentes legais.

No entanto, afirmou que assegurará que as quatro milhões de crianças nascidas nos EUA e que tenham pelo menos um dos pais imigrante ilegal contem com cobertura médica.

A Casa Branca justificou a onipresença de Obama na imprensa pela confusão que persiste sobre o alcance e o conteúdo da reforma, que também criou divergência entre os próprios democratas.

A versão apresentada pelo presidente da Comissão de Finanças do Senado, Max Baucus, irá a debate a partir de terça-feira próxima, quando democratas e republicanos discutem mais de 560 emendas.

Os republicanos, aparentemente irredutíveis, veem a saturação midiática de Obama como um exercício inútil que não conseguirá vender o plano à opinião pública.

Em declarações à "NBC", o senador Lindsey Graham disse hoje que o plano tem poucas probabilidades de aprovação no Senado e brincou que só faltou a Obama ir a um programa de culinária.

Obama também enfrentará esta semana aliados e adversários, dessa vez em âmbito internacional, quando viajar a Nova York e fazer sua estreia na Assembleia Geral das Nações Unidas.

À noite, será o primeiro presidente americano a participar do popular programa de TV "The Late Show with David Letterman". Ali se prevê que continuará repetindo sua mensagem de urgência sobre a reforma, ainda que isso incomode a oposição. EFE mp/rr

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