Obama viajará a Tucson, palco do massacre em que seis morreram

Presidente americano pode aproveitar oportunidade para obter apoio da população, após derrota democrata em eleições legislativas

iG São Paulo |

O presidente americano, Barack Obama, viajará na quarta-feira a Tucson, no Arizona, palco de um massacre em que o atirador Jared Loughner matou seis pessoas e feriu 14, incluindo a deputada democrata Gabrielle Giffords.

Obama enfrentará um momento de grande simbolismo político ao participar da cerimônia em memória das vítimas do ataque no Arizona e pode aproveitar a oportunidade para obter o apoio da população. O presidente fará um discurso dirigido às vítimas da tragédia e para tranquilizar a comunidade política, após o massacre que acirrou ainda mais o debate político nos Estados Unidos sobre o tom agressivo de algumas campanhas políticas.

Uma das figuras mais populares do movimento conservador Tea Party, a ex-candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin chegou a incluir Giffords em uma lista de 20 políticos que o movimento deveria tentar remover do poder nas eleições de novembro, ilustrada com o desenho de uma mira telescópica, comum em espingardas. Giffords acabou reeleita com uma diferença de apenas 4 mil votos sobre seu adversário republicano, apoiado pelo movimento conservador Tea Party.

Em momentos de crise, observaram especialistas, presidentes americanos costumam recorrer à unidade nacional, como fez George W. Bush no discurso na Catedral Nacional, após os atentados de 11 de setembro de 2001.

"Tais discursos são uma maneira de assimilar a tragédia e de manter a tranquilidade, mas também servem como ferramenta para unir o país e avançar de modo unido", destacou Jamie McKown, professor de ciências políticas do College of the Atlantic, no Maine.

O título da cerimônia na Universidade do Arizona, "Crescemos juntos: Tucson e Estados Unidos", dá uma clara indicação da vontade de se apaziguar os ânimos. "O presidente acredita que neste momento o mais importante é dirigir nossos pensamentos e orações aos atingidos e garantir nossa união como país", declarou Nicholas Shapiro, porta-voz da Casa Branca.

O discurso que o presidente Abraham Lincoln fez após a batalha de Gettysburg (Pensilvânia), em 1863, lamentando os mortos e mostrando o caminho aos vivos, permanece como principal referência aos líderes americanos.

Após o atentado de 1995 em Oklahoma City, com 168 mortos, Bill Clinton prometeu justiça, mas também destacou a necessidade de união diante da adversidade. Na ocasião, analistas perceberam que Clinton recuperou parte de seu prestígio na presidência, após o baque sofrido com a derrota nas legislativas, no meio de seu mandato. Nas eleições presidenciais seguintes, foi reeleito de forma triunfal.

Assim, Obama, cujo partido também foi derrotado nas últimas eleições legislativas, poderia aproveitar a oportunidade para recuperar seu prestígio em declínio.

Em declarações após a tragédia de Tucson, ele buscou estabelecer um vínculo direto de empatia com seus compatriotas afirmando: "Todos sentimos pena e estamos em estado de choque. Como presidente dos Estados Unidos, mas também como pai, passo muito tempo pensando nas famílias, disse o presidente depois do massacre.

*Com AFP

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