Obama viaja para falar de economia, assunto que mais preocupa eleitores

Teresa Bouza Washington, 9 jun (EFE).- O senador democrata Barack Obama iniciou hoje uma viagem de duas semanas pelos Estados Unidos focada na economia, um assunto que preocupa muitos eleitores e sobre o qual tem opiniões divergentes do seu adversário republicano, John McCain.

EFE |

No final do mês passado, uma enquete realizada pelo centro de pesquisas Pew constatou que 88% dos eleitores indagados consideram a economia o assunto número um a ser considerado no momento de votar nas eleições gerais de 4 de novembro.

Várias pesquisas divulgadas hoje confirmam a crescente ansiedade dos americanos com uma economia em desaceleração, que tem a maior taxa de desemprego em décadas e onde os preços da gasolina não param de subir.

Uma pesquisa publicada hoje pelo jornal americano "USA Today", diz que 43% dos americanos acreditam viver pior hoje que há cinco anos e só apenas 45% esperam que seus filhos vivam melhor que eles.

Além disso, 78% dos participantes de uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela rede de televisão "CNN" acreditam que a atual situação econômica é ruim ou muito ruim.

Com esse panorama como cenário de fundo, Obama visita hoje à Carolina do Norte, um estado cuja maioria não vota em um democrata desde 1976. Essa será a primeira parada da viagem "Mudança que funciona para você", que o levará também a estados como Ohio, Flórida e Pensilvânia.

Os analistas acreditam que a viagem pode servir para evidenciar as diferenças entre ele e McCain, que deve discursar amanhã em Washington sobre sua política para impulsionar a criação de postos de trabalho.

O diretor do escritório de pesquisa fiscal da Universidade de Michigan, Joel Slemrod, acha que uma das diferenças mais notáveis entre os candidatos à Presidência americana é a política fiscal.

"McCain propõe cortes maciços de impostos, além dos que houve já nos últimos oito anos", disse à Agência Efe Slemrod, que indicou ainda que esses cortes teriam repercussões "muito profundas" sobre o déficit.

O professor da Universidade de Michigan lembrou que McCain é a favor de que se estendam os cortes fiscais decretados por Bush, "que favoreceram desproporcionadamente os mais ricos".

Segundo Slemrod, Obama, pelo contrário, propõe que os cortes sejam revertidos para os segmentos de maior renda a fim de favorecer a classe média e os grupos mais pobres.

A campanha de McCain sustenta que impostos mais baixos, que incluem uma redução do encargo corporativo de 35% atual para 25 %, estimulariam a economia e encorajariam a criação de postos de trabalho.

Para Slemrod, esse argumento é "incompleto".

"É como se uma família que está em crise tivesse uma reunião para decidir o que fazer e o filho propusesse uma solução: deixar de pagar as contas", diz o analista, que afirma também que os impostos são a fatura que os contribuintes pagam ao Estado em troca de uma série de serviços.

"O corte dos impostos não é a solução, que está em deixar de gastar tanto", conclui o professor.

Don Grimes, também professor também da Universidade de Michigan, diz que na realidade nenhum dos dois aspirantes à Casa Branca poderá fazer muito para tornar os eleitores mais felizes.

"Não há muito que os dois possam fazer para consertar o que está ocorrendo nos EUA.", disse à Efe Grimes, que lembrou que os consumidores levam décadas gastando mais do que ganham o que faz com que a taxa de poupança do país seja zero.

Segundo Grimes, a revalorização dos imóveis tornou possível essa despesa excessiva, mas a atual crise imobiliária impedirá que a situação se prolongue e forçará os americanos a pagarem suas hipotecas e as dívidas em seus cartões.

"Não acho que haja nada que possam fazer para melhorar a situação, melhorá-la no sentido que querem os eleitores e que consiste em serem capazes de seguir gastando mais do que ganham, algo que não será possível", disse o professor universitário.

"O americano médio leva décadas gastando de forma irresponsável e serão necessárias várias décadas para que saia desta situação", diz Grimes. EFE tb/rr

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