Macarena Vidal. Washington, 15 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parte amanhã rumo ao México para sua primeira viagem pela América Latina, na qual buscará uma nova aproximação com os países da região e manifestará seu desejo de cooperar com eles.

A viagem de dois dias para o México e de três a Trinidad e Tobago, onde participará da 5ª Cúpula das Américas, começa após uma cuidadosa preparação, que levou a Obama a se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março, e, antes mesmo de sua posse, com seu colega mexicano, Felipe Calderón.

Além disso, outros membros de seu Governo, como o vice-presidente Joe Biden e a secretária de Estado, Hillary Clinton, já partiram rumo à região.

Segundo o ex-subsecretário de Estado para a América Latina Peter de Shazo, o presidente americano "teve um bom começo" na região graças a esses contatos, que considera "uma concentração extraordinária em uma área que não havia recebido muita atenção" durante o mandato de George W. Bush.

O diretor da Casa Branca para a Cúpula das Américas, Jeff Davidow, afirma que a viagem faz parte de um processo para "reconectar" os EUA à América Latina.

Tanto a etapa no México quanto a cúpula em Trinidad e Tobago darão a Obama "a oportunidade de se reunir com todos os chefes de Estado, escutá-los, trocar pontos de vista e sair com novas ideias, tanto as que desenvolva quanto as que tenha ouvido", explicou Davidow.

Durante sua estadia na Cidade do México, que será sua primeira parada na América Latina como presidente, Obama deve se reunir por duas horas com Calderón, primeiro a sós e depois rodeados por seus assessores, antes de conceder uma entrevista coletiva.

Nessa reunião, os dois governantes abordarão assuntos como a violência ligada ao narcotráfico e como cooperar para combatê-la.

Também analisarão o comércio, depois que o Congresso dos Estados Unidos suspendeu o programa para a circulação de caminhões mexicanos por território americano e que o México, como resposta, impôs tarifas a uma série de produtos americanos.

Segundo a Casa Branca, também serão abordadas questões relacionadas com a energia e com a mudança climática.

O segundo conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca , Denis McDonough, afirmou que a visita ao México tem como objeto "enviar um sinal muito claro" ao seu Governo, não apenas da "admiração" de Obama por seu esforço em combater o narcotráfico, como também do interesse em aprofundar a relação bilateral.

Após a reunião e a entrevista coletiva, Obama irá a um jantar oferecido por seus anfitriões mexicanos, antes de partir na manhã seguinte rumo a Trinidad e Tobago.

Na cúpula da capital Port of Spain, o assunto principal será a economia, a grande preocupação dos países latino-americanos, a fim de evitar que se repita outra "década perdida" similar à qual a região viveu nos anos 80.

A cooperação em matéria de energia e luta contra a mudança climática e a segurança pública serão outros assuntos que dominarão a reunião.

No encontro de Trinidad e Tobago, Obama, o presidente americano mais popular na América Latina nos últimos tempos, será a grande estrela, com quem todos os líderes tentarão conversar.

Até o momento, porém, a Casa Branca não indicou que reuniões bilaterais manterá o presidente.

O principal assessor da Casa Branca para a América Latina, Dan Restrepo, afirma que Obama quer é abordar "de maneira pragmática" a formação de alianças "dinâmicas" e alcançar "soluções flexíveis, não uma única que sirva para todos".

Obama, segundo Restrepo, apresentará ideias, mas também "escutará e aprenderá".

Por enquanto, ele ganhou pontos com os líderes latino-americanos após sua decisão, nesta semana, de suspender as restrições às viagens e o envio de dinheiro a Cuba dos americanos com parentes nesse país.

Cuba, ausente na reunião como único país da região não integrado à Organização dos Estados Americanos (OEA), não está na agenda, mas certamente será citada e muitos chefes de Estado e de Governo latino-americanos já haviam pedido a Obama uma suavização das medidas em relação à ilha.

Mas para conquistar a confiança dos líderes, segundo Peter Hakim, da ONG Diálogo Interamericano, Obama terá que fazer mais.

"Ele tirou a bola da areia, a devolveu ao campo e talvez a leve ao 'green'; mas nesta cúpula não vai colocar a bola no buraco", disse, usando o jogo de golfe como metáfora. EFE mv/jp

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