Macarena Vidal. Praga, 7 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, viaja hoje a Praga para assinar um novo acordo de redução nuclear com a Rússia, o que representa a maior conquista em política externa de seu mandato e um passo importante na sua estratégia contra a proliferação.

Obama, cujo Governo divulgou esta terça-feira uma nova estratégia nuclear que limita o uso de seus arsenais atômicos, partirá na última hora da tarde de Washington e chegará a Praga na quinta-feira pela manhã, onde terá uma reunião com o presidente russo, Dmitri Medvedev, antes da assinatura do novo Start.

Esse pacto, que substituirá o Start de 1991 que expirou em dezembro passado, limita a 1,5 mil ogivas nucleares o número que cada um dos dois signatários poderá ter, o que representa uma redução de aproximadamente 30% com relação aos níveis atuais.

Além disso, reduzem para 800 os vetores (veículos) para o lançamento dessas armas nucleares.

O acordo contém ainda um sistema para a verificação do cumprimento, que foi um dos aspectos mais espinhosos da negociação.

Para Obama, a assinatura do tratado representa seu primeiro triunfo internacional, que chega em boa hora, após a aprovação da reforma da saúde e quando as tensões com a China parecem ter afrouxado.

Representa, por um lado, o primeiro passo tangível do reinício da relação bilateral, muito deteriorada durante o mandato de George W.

Bush. É considerado o primeiro avanço concreto para a agenda internacional de Obama e seu objetivo, lançado em discurso em Praga no ano passado, de conseguir um mundo sem armas nucleares.

Para Obama significou um autêntico golpe de sorte que as negociações, estagnadas nos últimos meses, conseguissem ser retomadas no mês passado e o pacto tenha sido fechado dias antes de o presidente americano receber em Washington, na próxima semana, uma cúpula sobre segurança nuclear.

Segundo Andrew Kuchins, do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CSIS), "se não tivesse conseguido este primeiro passo, seus dois objetivos (a normalização dos laços com a Rússia e a luta contra a proliferação) teriam sido gravemente prejudicados".

Agora, Obama poderá exibir este acordo como parte de seus argumentos em favor da não-proliferação e para reivindicar a outros países que cumpram a sua parte.

Nesta terça-feira, apresentou sua nova Revisão da Posição Nuclear, que coloca ênfase na luta contra a proliferação e o terrorismo nuclear, e pela qual os EUA se comprometem a não usar suas armas atômicas contra os países que respeitem o Tratado de Não- Proliferação (TNP).

"A combinação da aprovação da reforma sanitária e o novo tratado Start é algo que não só é importante no terreno interno, mas também extremamente importante fora e em como percebe o resto de líderes", indicou Kuchins.

Mas a visita a Praga, e a reunião com Medvedev, não se limitará unicamente a assinatura do tratado e aos acordos.

Os dois presidentes abordarão um importante aspecto da luta contra a não-proliferação, o mais importante hoje em dia para os EUA: o programa nuclear iraniano.

Obama buscará aproveitar o encontro, e sua aparente química pessoal com Medvedev, para conseguir o sim russo à imposição de novas sanções no Conselho de Segurança da ONU contra o programa nuclear iraniano.

Neste sentido, esse encontro será um avanço da qual Obama manterá na próxima semana, durante a cúpula de segurança nuclear, com o presidente da China, Hu Jintao, cujo país mantém a resistência de impor novas sanções contra o regime de Teerã.

Durante sua estadia em Praga, o presidente americano terá uma conversa com os líderes dos países do leste da Europa. EFE mv/dm

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