Obama vence eleições nos EUA e escreve um novo capítulo na história

Teresa Bouza. Washington, 20 dez (EFE).- Os Estados Unidos realizaram este ano eleições históricas, nas quais os americanos elegeram o primeiro presidente negro do país, Barack Obama, que herdará em janeiro um país em guerra e em meio à pior crise financeira em 80 anos.

EFE |

A "viagem incerta" de Obama, como ele gosta de chamar, começou em fevereiro de 2007, quando, no antigo edifício da Assembléia Legislativa de Springfield (Illinois), o mesmo de onde o presidente Abraham Lincoln (1861-1865) começou sua luta contra a escravidão, o então senador anunciou seus planos para o futuro.

"Estou aqui (...) para anunciar minha candidatura para presidente dos Estados Unidos", disse, em um dos momentos mais aplaudidos por seus simpatizantes, que enfrentaram as baixas temperaturas daquela manhã em Springfield.

Esse poder de mobilizar as massas era um sinal do que estava por vir, mas, naquela época, as apostas se concentravam na que se transformaria em implacável rival de Obama pela candidatura do Partido Democrata, a senadora por Nova York, Hillary Clinton.

Obama lançou então uma disciplinada campanha, que recorreu com sucesso à internet para mobilizar os eleitores e arrecadou a quantia recorde de cerca de US$ 750 milhões.

A ascensão meteórica de Obama se articulou em torno da mensagem de "mudança", em um país que clamava por novos ares após oito anos de fracassadas políticas do presidente George W. Bush.

As eleições primárias do Partido Democrata em Iowa, em janeiro, que tradicionalmente dão a largada na corrida à Casa Branca, confirmaram a força do discurso do então senador por Illinois.

Obama ganhou no estado e iniciou assim uma dura disputa com Hillary, que durou até junho e deixou os democratas divididos.

Os ânimos só se acalmaram na Convenção Nacional Democrata, realizada de 25 a 28 de agosto em Denver (Colorado), onde Bill e Hillary Clinton levantaram a bandeira da paz e estenderam a mão a Obama.

Com a casa democrata em ordem, começou com força total uma campanha na qual Obama teve que medir forças com o adversário republicano, o senador John McCain, que partia com o vento contra, mas que travou uma dura batalha.

O democrata insistiu em duas idéias-chave: a de que sua Presidência significaria uma mudança e que o adversário republicano era "mais do mesmo", pois tinha as mesmas receitas do impopular Bush.

McCain insistiu, primeiro, em que ele representava experiência, em um momento crítico para o país, enquanto o adversário era uma aposta arriscada.

Os dois travaram uma batalha que envolveu campanha de anúncios muito críticos, a maioria procedente da frente republicana.

Os meses de campanha ficaram marcados também pela presença da governadora do Alasca, Sarah Palin, companheira de chapa de McCain e novata na política nacional, que - com as freqüentes gafes - fez a "festa" dos programas de humor da televisão.

Inicialmente, McCain agüentou bem a difícil disputa com o carismático Obama, mas não sobreviveu a um elemento externo, a crise econômica, que se agravou de forma dramática em meados de setembro, com a quebra do banco de investimentos americano Lehman Brothers.

A grave crise econômica favoreceu Obama, com um eleitorado definitivamente reticente a entregar as chaves da Casa Branca a outro político republicano.

A prova de fogo aconteceu em 4 de novembro, o grande dia do processo eleitoral, que atraiu um número recorde de americanos às urnas e quando Obama obteve uma clara maioria, ao conseguir mais de 67 milhões de votos (52,7%), frente aos 58 milhões de McCain (45,9%).

A histórica vitória de Obama tornou realidade o sonho do reverendo afro-americano Martin Luther King e foi comemorada em grande estilo dentro e fora do país, onde há uma contagem regressiva para a chegada do novo presidente à Casa Branca, em cerimônia de posse que acontecerá em 20 de janeiro. EFE tb/an

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