Obama vê progresso em tema de assentamentos israelenses

Por Ross Colvin WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta terça-feira que vê sinais encorajadores de um abrandamento na postura de Israel, que resistia em congelar o estabelecimento de assentamentos na Cisjordânia ocupada.

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"Tem havido um movimento na direção certa", disse Obama, quando perguntado a respeito dos últimos acontecimentos. Ele saía de um encontro com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, na Casa Branca.

Mais cedo, um ministro do governo de Israel afirmou que nenhuma autorização foi concedida para novos projetos habitacionais desde que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tomou posse, há cinco meses. Ele rejeitou o pedido de Obama por um congelamento total, criando o maior atrito em uma década na relação entre os dois países.

"Desde a posse do governo, cinco meses atrás, nenhuma autorização foi concedida na Judeia e Samaria," disse o ministro da Habitação, Ariel Atias, referindo-se a licitações governamentais para novas construções em assentamentos da Cisjordânia.

"O fato é que estamos em compasso de espera... Em uma tentativa, acredito, de chegar a um entendimento com o governo dos EUA e a um acordo de paz abrangente", disse Atias à Rádio Israel.

A entidade israelense anti-assentamentos Paz Agora confirmou que não foram aprovadas novas licitações, mas disse que mais de 1.000 unidades residenciais estão sendo construídas atualmente na Cisjordânia ocupada por Israel, em terras que os palestinos reivindicam para seu Estado.

Obama, exige que Israel suspenda toda a atividade de construção em assentamentos, conforme o estabelecido no acordo de paz de 2003 conhecido como "mapa do caminho", que também determina que o governo palestino tem de controlar os militantes.

Netanyahu resiste a suspender totalmente a expansão dos assentamentos e deve se reunir em Londres com o enviado de Obama para o Oriente Médio, George Mitchell.

O Paz Agora minimizou o significado do congelamento de novos projetos, dizendo que as construções patrocinadas pelo governo respondem por somente 40 por cento das edificações na Cisjordânia.

"A maioria das obras é feita por iniciativa privada, de grupos de assentados e organizações não-governamentais", disse o Paz Agora em um comunicado.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, condiciona as conversações de paz com Israel, suspensas desde dezembro, ao total congelamento de construções nos assentamentos.

Mas Israel espera convencer os EUA a aceitarem a continuidade dos projetos existentes para atender às necessidades de crescimento da população nos assentamentos, que o governo israelense espera incorporar a Israel em um acordo de paz com os palestinos.

Os EUA estão tentando persuadir Estados árabes a tomar a iniciativa na normalização das relações com Israel.

Cerca de 500 mil israelenses vivem na Cisjordânia e na parte árabe de Jerusalém, o leste da cidade, territórios que foram capturados por Israel em 1967, na Guerra dos Seis Dias. Na Cisjordânia vivem 2,5 milhões de palestinos.

(Com reportagem de Jeffrey Heller, em Jerusalém)

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