Obama vê efeito de sanções e reitera proposta de diálogo ao Irã

Em raro encontro com jornalistas, presidente americano afirma que governo iraniano já começa a sentir efeito de ações punitivas

AFP |

O presidente americano, Barack Obama, disse que mantém o desejo de conversar com o Irã sobre seu programa nuclear e as sanções internacionais, desde que Teerã siga "um passo a passo claro", segundo informações publicadas nesta quinta-feira. Ele também assegurou que as recentes sanções impostos contra o Irã começam a dar resultados.

Obama fez os comentários a um pequeno grupo de jornalistas durante raro encontro na quarta-feira na Casa Branca, depois que autoridades americanas rejeitaram um pedido de cúpula bilateral entre EUA e Irã.

Obama assegurou ter notado sinais de que o regime iraniano começa a sentir os efeitos das sanções adotadas nos últimos meses pela ONU e de outras medidas unilaterais impostas pelos EUA e aliados. "Mudar as variáveis de sua equação é muito difícil, mas começamos a ver que sinais de que o Irã ficou surpreso com nosso êxito" de adotar as sanções e respeitar essas medidas, declarou Obama, citado pelo jornal The Atlantic.

Obama declarou-se comprometido em oferecer a Teerã "uma porta de saída" pacífica para a crise. "É muito importante que proponhamos aos iranianos um conjunto claro de medidas que estimaríamos suficientes para demonstrar que eles não procuram obter armas nucleares", disse Obama, segundo o Washington Post.

Segundo a reportagem, Obama deixou aberta a possibilidade de os EUA aceitarem um acordo que permita ao Irã manter seu programa nuclear civil, desde que forneça "medidas que fortaleçam o crescimento da confiança" de que a República Islâmica não está construindo uma bomba.

De acordo com o Washington Post, o presidente disse que as sanções internacionais permaneceriam, mas que o regime deveria ter um caminho para um acordo pacífico sobre a questão nuclear. "É muito importante apresentar aos iranianos um passo a passo claro que consideremos suficiente para demonstrar que eles não estão buscando desenvolver armas nucleares", disse Obama, segundo o jornal. "Eles deveriam saber que também podem dizer 'sim'", acrescentou.

Na terça-feira, o porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs rejeitou uma proposta do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para uma reunião de cúpula com Obama. "Sempre dissemos que gostaríamos de nos sentar e discutir o programa nuclear ilícito iraniano, se o Irã for sério quanto a fazê-lo", disse Gibbs a jornalistas. Mas, "até agora, não vimos essa seriedade", acrescentou.

Segundo o apresentador de 'talk show' da NBC David Gregory, o encontro do presidente com jornalistas foi uma forma de expressar ao mundo que Washington prefere uma saída pacífica para a questão nuclear em vez do uso da força.

"Uma das coisas que o presidente falou foi toda essa história de comprometimento, de se sentar com o Irã, seguir alguns canais, foi uma forma de dizer à comunidade internacional, 'vejam, estamos fazendo tudo o que podemos para tentar trazer o Irã de volta à mesa (de negociações) e resolver isso pacificamente'", disse Gregory à MSNBC.

O governo Obama "quer ser mais público e sugestivo sobre o uso da força, baseado na visão mundial de que não podemos tolerar esse tipo de proliferação", disse Gregory.

A mídia iraniana relatou na quinta-feira que Ahmadinejad havia anunciado que a República Islâmica trabalhava em um foguete de três estágios para levar um satélite a 1.000 km de altitude, um anúncio que despertou novas preocupações entre as potências mundiais, que já olham para o Irã com desconfiança por causa de seu programa nuclear.

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