JERUSALÉM (Reuters) - O presidente-eleito dos EUA, Barack Obama, pretende oferecer a Israel um pacto estratégico destinado a impedir um eventual ataque nuclear do Irã contra o Estado judeu, disse um jornal israelense nesta quinta-feira. Citando uma fonte norte-americana próxima a Obama não-identificada, o diário Haaretz informou que o futuro governo dos EUA se comprometeria, sob um proposto guarda-chuva nuclear, a responder à altura a um eventual bombardeio nuclear do Irã contra Israel.

O Irã nega estar desenvolvendo armas nucleares, mas sua agressiva retórica contra Israel desperta temores de que o Estado judeu, supostamente dono do único arsenal atômico do Oriente Médio, poderia atacar preventivamente o país islâmico, seu arqui-inimigo.

A extensão de uma eventual ação unilateral de Israel também poderia ser limitada pelo "guarda-chuva nuclear" dos EUA.

Tratados semelhantes na Guerra Fria -- por exemplo com o Japão e com a Europa, por intermédio da Otan -- defendiam os aliados, mas os obrigavam a buscar aval de Washington antes de movimentações militares.

As especulações sobre um pacto estratégico EUA-Israel já haviam ganhado força há dois anos, quando o presidente George W. Bush disse à Reuters que seu país iria "se erguer em defesa de Israel" contra as ameaças iranianas.

Israel foi criado em parte como refúgio para sobreviventes do Holocausto nazista, com a promessa de que os judeus ficariam encarregados da sua própria defesa.

A submissão formal à proteção estrangeira poderia gerar uma grave crise de credibilidade para o governo israelense, interinamente ocupado até fevereiro por Ehud Olmert, que decidiu deixar o cargo de premiê devido a suspeitas de corrupção.

Obama toma possa no lugar de Bush em 20 de janeiro. Um porta-voz da embaixada dos EUA em Tel Aviv disse que não pode falar "sobre as políticas de uma nova administração".

(Por Dan Williams)

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