Obama vai entrar pela primeira vez no Salão Oval da Casa Branca

Barack Obama deve entrar nesta segunda-feira pela primeira vez no Salão Oval da Casa Branca, de onde comandará os Estados Unidos a partir de janeiro.

AFP |

Obama deve manter suas primeiras conversas aprofundadas com George W. Bush, em um período de transição considerado o mais delicado desde Franklin Roosevelt em 1933, ou até de Abraham Lincoln em 1861.

Ao se tornar, oficialmente, no dia 20 de janeiro, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, Obama dirigirá um país abalado por duas guerras e uma grave depressão econômica.

A primeira visita de Obama à presidência desde sua vitória arrasadora sobre o republicano John McCain nas eleições de terça-feira passada suscitava nesta segunda-feira uma impaciência raramente vista na Casa Branca.

"Ver a família Obama na Casa Branca será algo maravilhoso", declarou Tony Fratto, porta-voz de Bush.

O senador Obama já foi várias vezes à Casa Branca, mas nunca entrou no Salão Oval.

Barack Obama e sua esposa Michelle devem ser recebidos pelo casal Bush às 14H00 desta segunda-feira (17H00 de Brasília).

Depois das saudações, Laura Bush levará Michelle Obama para uma visita geral à Casa Branca, enquanto seus maridos se reunirão no Salão Oval.

Os dois homens terão muito o que conversar durante este ritual da política americana.

Os Estados Unidos estão passando por sua pior crise financeira desde 1933, e se preparam para a recessão e um forte aumento da taxa de desemprego.

Quase 150.000 soldados americanos continuam no Iraque, mais de cinco anos depois do início da guerra, e a vitória é incerta no Afeganistão.

Bush também alertou para o risco de que os terroristas aproveitem o período de transição para atacar novamente os Estados Unidos.

O presidente garantiu que fará todo o possível para facilitar o trabalho de seu sucessor.

Diante da "gravidade da situação", Obama afirmou que vai se apresentar para o encontro desta segunda-feira sem qualquer consideração partidária.

A Casa Branca disse buscar a contribuição dos conselheiros de Obama em uma cúpula inédita de dirigentes organizada por Bush para a próxima sexta e no sábado em Washington para conter a propagação da crise econômica.

Estas promessas de colaboração marcam uma mudança radical em relação ao tom que prevaleceu durante a campanha, quando Obama agitava o fantasma de Bush para dissuadir os eleitores a votar em McCain.

Várias diferenças existem entre o presidente eleito e a administração atual. Obama defende um novo plano para estimular a economia, uma idéia que não suscita o entusiasmo do governo Bush. Obama prometeu trazer de volta os soldados americanos no Iraque em no máximo 16 meses. A equipe de Obama acaba de anunciar sua intenção de reavaliar rapidamente decretos relativos à pesquisa embrionária e ao meio ambiente.

Em seu recente livro intitulado "A Audácia da Esperança", Obama relata como, durante uma visita com outros parlamentares na Casa Branca em 2004, encontrou um presidente vivendo com "certezas quase messiânicas".

Ele lembra que o presidente Bush lhe disse então: "Você tem um futuro brilhante, muito brilhante. Porém, quando se desperta tamanha atenção, as pessoas começam a sacar os revólveres. Todo mundo vai esperar que você cometa um erro, então, tome cuidado".

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