Obama vai apoiar Calderon no combate aos cartéis da droga

CIDADE DO MÉXICO - O presidente Barack Obama chegou nesta quinta-feira ao México para expressar apoio a seu colega mexicano, Felipe Calderon, no combate aos cartéis da droga, que vêm travando há dois anos uma guerra sangrenta que já deixou milhares de mortos.

AFP |

Logo ao chegar, Barack Obama admitiu que seu país deve fazer sua parte no combate ao narcotráfico, que se instalou na fronteira comum. "Já o fizemos através da Iniciativa Mérida (contra o crime organizado) mas deveremos continuar a fazê-lo", insistiu Obama.

Calderón pediu por sua vez a Obama que "o combate ao crime organizado seja assumido plenamente pelos dois países como responsabilidade compartilhada", ao mesmo tempo em que defendeu a necessidade de construir "uma nova era" na relação bilateral.


Obama desembarcou nesta tarde na Cidade do México / AP

Durante a escala de menos de 24 horas a caminho de Trinidad e Tobago, palco da Cúpula das Américas, e sua primeira viagem como presidente à América Latina, Obama também falará da crise financeira e da cooperação econômica entre os dois países, que têm interesses mútuos nos setores do comércio, da energia, do meio ambiente e da imigração.

Guerra do tráfico

Quarta-feira, na véspera da chegada de Obama, 15 pistoleiros e um militar morreram em um tiroteio no estado de Guerrero, no sul do México.

Desde que assumiu a presidência, em dezembro de 2006, Calderon mobilizou 36.000 soldados e policiais para lutar contra os cartéis, provocando uma retaliação sangrenta dos narcotraficantes e acirrando a rivalidade entre esses bandos pelo controle das exportações, principalmente para os Estados Unidos, o maior consumidor mundial de cocaína.

Mais de 5.300 homicídios foram atribuídos aos cartéis em 2008, e quase 2.000 no primeiro trimestre deste ano, segundo os números oficiais.

A guerra dos cartéis se expandiu para os Estados Unidos, e a administração Obama prometeu apoiar o governo mexicano.

Calderon está fazendo um trabalho "extraordinário e heróico" contra os traficantes, declarou Obama à rede CNN, prometendo mobilizar todos os meios possíveis para garantir a segurança na fronteira.

Quarta-feira, seu governo nomeou um representante especial encarregado de fazer respeitar a lei ao longo dos 3.000 km de fronteira. No mesmo dia, Obama inscreveu três cartéis na lista das organizações incluídas na lei destinada a acabar com as fontes de financiamento dos narcotraficantes.

Contudo, o governo mexicano quer que a administração Obama faça mais para impedir a entrada no país das armas de assalto que os traficantes compram sem problemas no território americano.

Segundo a Casa Branca, a escolha de Obama - ir à Cidade do México - ao contrário de seu predecessor, George W. Bush, que preferia se encontrar com seu colega mexicano em um rancho ou um balneário - também constitui um "sinal forte" da vontade de Washington de cooperar com seu vizinho em outros âmbitos, como a economia, a energia e o meio ambiente.

Imigração

Antes de Obama, Bill Clinton fora o último presidente dos Estados Unidos a viajar à Cidade do México, em uma visita que provocou gigantescos engarrafamentos.

As relações entre os dois países vão muito além do combate ao narcotráfico. Quase 10% dos americanos são de origem mexicana, e muitos dos cerca de 12 milhões de clandestinos que estão atualmente nos Estados Unidos são procedentes deste país.

Obama e Calderon também vão falar de imigração, mesmo se a crise eocnômica parece complicar o projeto do presidente americano, reafirmado na CNN, de apresentar uma ampla reforma sobre o assunto.

A crise financeira é, provavelmente, o principal tema das discussões. Em 2007, os Estados Unidos compravam 82% das exportações mexicanas, e o México foi duramente abalado pela recessão nos Estados Unidos.

Obama tenta tranquilizar os mexicanos reafirmando seu desejo de cooperação econômica e sua oposição ao protecionismo.

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