Obama vai à Arábia Saudita para reavivar esperança de paz no Oriente Médio

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, iniciou nesta quarta-feira em Riad uma visita ao Oriente Médio, colocada sob o signo da abertura para o mundo muçulmano e da busca de paz entre árabes e israelenses.

AFP |

O ponto alto de sua viagem será o discurso de reconciliação dirigido para 1,5 bilhão de muçulmanos em todo o mundo que pronunciará quinta-feira no Cairo, após oito anos de tensões sob a presidência de George W. Bush.

"Esta é minha primeira visita à Arábia Saudita, mas já conversei diversas vezes com Sua Majestade", declarou Obama, referindo-se ao rei Abdullah.

"Fiquei admirado com sua sabedoria e sua graça", destacou, elogiando a relação duradoura que existe entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita.

"Como empreendi esta viagem e devo ir para o Cairo amanhã, pensei que seria muito importante vir para o país onde nasceu o Islã para solicitar os conselhos de Sua Majestade", disse ainda Obama.

O presidente americano se disse "convencido" de que "trabalhando juntos, os Estados Unidos e a Arábia Saudita "podem avançar em todas as questões de interesse comum".

O rei Abdullah condecorou Obama com uma alta distinção saudita, prestando-lhe uma forte homenagem. "Quero saudar o povo americano irmão, representado por este homem distinto que merece estar no lugar onde está", declarou o monarca.

Obama foi recebido pelo rei Abdullah no aeroporto de Riad.

Antes de sua chegada, Obama afirmou o desejo de "recolocar seriamente nos trilhos" o processo de paz no Oriente Médio, e insistiu na necessidade de manter uma atitude firme em relação a Israel sobre a criação de um Estado palestino e a colonização judaica.

A Arábia Saudita espera que Washington lhe dê garantias desta nova firmeza com o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

O rei Abdullah é o idealizador da Iniciativa de Paz Árabe, aprovada em 2002 e que prevê uma normalização das relações entre Israel e os países árabes em troca de uma retirada total dos territórios párabes ocupados em 1967.

O Estado hebreu observou "aspectos positivos" nesta iniciativa, mas não a aceitou formalmente, principalmente por causa da menção sobre o direito ao retorno dos refugiados palestinos.

Americanos e sauditas também devem tentar elaborar uma estratégia sobre o Irã, o rival xiita da Arábia Saudita sunita na região, suspeito de querer se dotar da arma nuclear. O petróleo também estará no centro das discussões.

A mão estendida por Obama ao mundo muçulmano foi rejeitada por Osama bin Laden. Em gravação divulgada pela rede de TV Al-Jazeera, o líder da rede terrorista Al-Qaeda acusou o presidente de "seguir a mesma política de hostilidade em relação aos muçulmanos" que a de seu antecessor, George W. Bush.

"Ele está assentando os fundamentos para guerras duradouras", declarou Bin Laden, na segunda mensagem da Al-Qaeda divulgada em 24 horas. O número dois da rede terrorista, o egípcio Ayman al-Zawahiri, criticara a "operação de relações públicas" de Obama.

Israel, por sua vez, se disse preocupado de que a vontade de abertura de Obama seja feita em detrimento do Estado judeu.

"Há uma cooperação intensa entre Israel e os Estados Unidos, mas os desacordos se agravaram recentemente", admitiu o ministro dos Transportes, Israel Katz.

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