Obama usa sua visita à Turquia para tentar se aproximar do mundo muçulmano

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, escolheu a Turquia como última etapa de sua viagem à Europa para tentar tranquilizar o mundo muçulmano e emitir uma nova advertência ao Irã, convidando Teerã a escolher entre a arma nuclear e um futuro melhor.

AFP |

"Os Estados Unidos não estão, e nunca estarão, em guerra contra o Islã", garantiu nesta segunda-feira Obama, em sua primeira visita a um país muçulmano.

"Queremos mostrar, através de ações concretas, nosso compromisso com um futuro melhor", declarou o dirigente ante os deputados turcos, anunciando um programa para ajudar os países necessitados.

"Queremos ajudar mais crianças, com uma educação que abra as portas do sucesso. Apresentarei nos próximos meses um programa específico para alcançar estes objetivos. Vamos nos concentrar sobre o que podemos fazer em parceria com o mundo muçulmano", acrescentou.

Obama aproveitou para conclamar Teerã a escolher entre a arma nuclear e um futuro melhor para seu povo.

"Digo claramente ao povo e aos dirigentes da República Islâmica que os Estados Unidos buscam uma relação baseada nos interesses e no respeito mútuos", afirmou Obama em sua visita oficial à Turquia, um país vizinho do Irã.

"Os dirigentes iranianos têm agora que escolher se querem desenvolver uma arma ou construir um futuro melhor para seu povo", insistiu.

Sobre o Oriente Médio, onde a Turquia exerce um papel de mediadora, principalmente entre Israel e a Síria, Obama destacou que o processo de Annapolis e o Mapa do Caminho constituem o caminho para a paz na região.

"Os Estados Unidos apoiam firmemente o objetivo de dois Estados, Israel e Palestina, vivendo juntos em paz e com segurança", lembrou.

As declarações do presidente americano foram pronunciadas alguns dias depois de o novo ministro israelense das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, ter avisado que seu país não tem compromisso com o processo de Annapolis, que relançou as negociações de paz com os palestinos.

"É o objetivo que as partes envolvidas concordaram em buscar no Mapa do Caminho e em Annapolis, e é o objetivo que vou procurar alcançar como presidente", afirmou Obama.

O presidente americano também expressou novamente seu apoio à adesão da Turquia à União Europeia (UE).

"Os Estados Unidos apoiam firmemente a candidatura da Turquia à UE", declarou, ressaltando que a entrada da Turquia fortaleceria o bloco europeu.

Esta é a segunda vez em menos de uma semana que Obama se intromete no debate europeu, desagradando a países como a França que desejam apenas uma parcceria privilegiada com a Turquia.

Durante suas conversas com os dirigentes turcos, Obama insistiu na importância estratégica das relações entre os dois aliados, abaladas pela ocupação americana do Iraque, em 2003.

A situação melhorou desde então, com Washington fornecendo ao Exército turco informações de inteligência para ajudar a expulsar os separatistas curdos, entrincheirados no norte do Iraque.

O presidente americano também defendeu o diálogo entre a Turquia e a Armênia, afirmando que as negociações em andamento "podem dar resultados muito em breve" e permitir caminhar para uma normalização das relações entre os dois países.

Obama destacou que não mudou de opinião sobre o genocídio armênio, mas preferiu insistir nas negociações atuais entre Ancara e Erevan.

A Turquia e a Armênia não mantêm relações diplomáticas, e Ancara se recusa a considerar como genocídio os massacres de armênios perpetrados na época do império otomano (1915-1917).

Além disso, Obama também defendeu o reforço da aliança entre Estados Unidos e Turquia, sócios na Otan.

"Vimos uma melhora constante das relações entre os Estados Unidos e Turquia", afirmou Obama na coletiva.

"Não acho que as relações tenham se deteriorado ao ponto de deixarmos de ser amigos ou aliados", acrescentou, em alusão ao fato de a Turquia ter se oposto à invasão americana do Iraque em 2003.

Barack Obama deve seguir para Istambul ainda hoje, e deixar a Turquia na terça-feira.

col/yw

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