Obama tenta lucrar com crise; McCain busca distância

A economia voltou a ocupar o primeiro plano da disputa eleitoral americana, com o anúncio do pedido de concordata feito pelo banco Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos do país e uma instituição financeira com 158 anos de existência.

BBC Brasil |

O candidato democrata Barack Obama procurou se beneficiar eleitoralmente da crise nas bolsas desta segunda-feira, atribuindo o problema ao Partido Republicano de John McCain e às políticas econômicas adotadas nos últimos oito anos pelo presidente George W. Bush.

Já McCain procurou se distanciar da situação atual, insinuando que uma potencial administração sua não cometeria os mesmos erros que o atual governo.

Obama disse não culpar McCain pela atual situação, mas afirmou que culpa ''a filosofia econômica que ele segue. Porque é a mesma filosofia que nos tivemos nos últimos oito anos - uma que diz que nós devemos dar mais para aqueles que têm mais e esperar que a prosperidade pingue nos que estão embaixo''.

McCain, por sua vez, prometeu aos eleitores nunca "colocar os Estados Unidos nesta posição novamente." "Nós iremos limpar Wall Street e reformar o governo'', disse o republicano.

Pólos opostos

Em pronunciamentos realizados nesta terça, os dois candidatos frisaram ainda as suas diferentes visões a respeito da situação. Para Obama, ela representa ''a mais séria crise financeira desde a Grande Depressão, da década de 30''.

Já John McCain, mesmo tendo reconhecido que os Estados Unidos atravessam ''um período muito, muito difícil'', repetiu uma frase que já usou em outras ocasiões, lembrando que ''os fundamentos da economia americana continuam sólidos''.

A afirmação de McCain pareceu um ''presente'' para Obama, cuja campanha vem acusando o adversário republicano de ter escasso conhecimento de temas econômicos e de não estar a par dos problemas enfrentados pelo americano médio.

''Senador McCain, de que economia o senhor está falando?'', indagou Obama, durante um discurso no Estado do Colorado, recebendo fortes aplausos do público.

''O que é mais fundamental do que poder encontrar um emprego que permite a você pagar suas contas e manter uma família? O que é mais fundamental do que saber que suas economias de uma vida inteira estão seguras? E que você terá um teto sobre a sua cabeça no final do dia'', afirmou Obama.

Vantagem incerta

A avidez de Obama em tentar explorar a crise se deve ao fato de que ele vem perdendo pontos para o rival nas pesquisas mais recentes, em especial após a indicação da governadora Sarah Palin, como candidata a vice na chapa de McCain.

O fato de a crise ter se intensificado ao longo da atual administração republicana, não é uma garantia de que os democratas irão se beneficiar, na opinião de William Galston, especialista em políticas nacionais e campanhas eleitorais do Insituto Brookings, de Washington.

''Em princípio, mais gente julga Obama e o Partido Demcorata como sendo melhores em temas econômicos, mas isso é apenas um sentimento geral, abstrato. Para ganhar pontos políticos, Obama precisa colocar um programa econômico na mesa, que as pessoas acreditem irá melhorar a vida deles e eles ainda não fizeram isso'', afirma.

No entender de Galston, McCain vem fazendo uso de uma tática astuciosa, a de se ''apresentar como um 'outsider', que está apenas por acaso em Washington há três décadas, mas que é na verdade um reformista. A estratégia dele foi a de se separar o quanto pôde de um presidente impopular e de um Partido Republicano desacreditado''.

''A mensagem de McCain é simples, que o problema principal é a bagunça em Washington, e que ele pretende chegar para resolver. Obama precisa de uma mensagem tão forte quanto para a economia. Um plano simples o suficiente para que todos possam compreender. Se eles fizerem isso, terão chances. Mas caso contrário, não terão'', afirma o analista.

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