Obama tenta deixar polêmica do pastor para trás

Por Caren Bohan INDIANÁPOLIS (Reuters) - O pré-candidato democrata à Casa Branca Barack Obama tentou na quarta-feira deixar para trás a polêmica relativa aos comentários de teor racial do seu ex-pastor, preferindo enfocar questões da economia doméstica.

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Ao contrário de seus rivais Hillary Clinton e John McCain, Obama é contra a proposta de suspender um imposto de 4,87 centavos de dólar por litro de gasolina durante o verão.

Fazendo campanha em Indiana, que faz eleição primária na terça-feira, junto com a Carolina do Norte, Obama decidiu falar do preço da gasolina e do mercado de trabalho na esperança de encerrar a polêmica provocada por declarações do pastor Jeremiah Wright, como a de que os EUA foram parcialmente responsáveis por sofrerem os atentados de 11 de setembro de 2001 e de que o governo do país difundiu a Aids de propósito entre os negros.

Obama rompeu publicamente com o pastor e nesta semana fez duras críticas a ele. 'A situação com o reverendo Wright foi difícil, não vou mentir para vocês', disse ele a um participante de uma mesa-redonda em Indianápolis.

'Mas, francamente, o que ele disse nos últimos dias, e em alguns sermões que foram citados, eram inaceitáveis e não eram coisas em que acreditássemos', afirmou.

'Porém, o que queremos fazer agora é garantir que isso não continue sendo uma distração perpétua', acrescentou.

Os sermões de Wright têm sido muito usados contra Obama por seus adversários, o que dificulta ainda mais a busca dele pelo voto de trabalhadores brancos, que podem ser decisivos na eleição geral de novembro.

O senador, que é negro, frequenta desde 1992 a igreja de Chicago onde Wright pregava.

Enquanto isso, Hillary apareceu numa entrevista gravada ao apresentador conservador Bill O'Reilly, da Fox News, que perguntou a ela se lamentava a situação de Obama.

'Bem, acho que ele deixou suas opiniões finalmente muito claras, que ele discordava, e acho que é isso que ele deveria fazer', respondeu Hillary, que qualificou as declarações de Wright como 'ofensivas e ultrajantes'.

'E as pessoas têm de decidir em que acreditam. E eu certamente não acredito que o governo dos Estados Unidos estava por trás da Aids', disse a senadora.

Falando sobre a proposta de suspender temporariamente o imposto sobre a gasolina, Obama disse: 'Eis a verdade -- uma família média economizaria uns 30 dólares ao longo de três meses -- 28 dólares. Ou, mais precisamente, 30 centavos de dólar por dia, o que não compra nem uma xícara de café no 7-Eleven.'

Ele acrescentou que a suspensão do imposto tiraria dinheiro do fundo federal de rodovias, com o consequente fechamento de vagas na construção civil.

McCain, já garantido como candidato republicano, disse a jornalistas em seu ônibus na Pensilvânia que os norte-americanos merecem um alívio no posto de gasolina, 'particularmente os norte-americanos de baixa renda, que falando em termos gerais dirigem para mais longe e dirigem carros mais velhos, o que então aumenta seus gastos na bomba de gasolina.'

No seu dia de campanha, Hillary pegou uma carona de 45 minutos na picape do metalúrgico Jason Wilfing, 33 anos, de Plymouth, Indiana, a caminho do trabalho dele. Ao pararem num posto, a candidata pagou 64 dólares pelo equivalente a meio tanque de gasolina.

(Reportagem adicional de John Whitesides na Pensilvânia e Ellen Wulfhorst em Indiana)

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