Obama tenta aproximação com Turquia com foco em conflitos

Por Matt Spetalnick e Paul de Bendern ANCARA (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, tentou nesta segunda-feira restaurar os laços com a Turquia, um país muçulmano com crescente influência e de cuja ajuda Washington precisa para resolver conflitos do Irã ao Afeganistão.

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A visita de dois dias de Obama é um apelo ao alcance regional, poder econômico, contatos diplomáticos e status da Turquia, uma democracia secular que tenta a sua inserção na União Europeia e abrigou o Islã na política.

Essa será a última parada da primeira viagem internacional de Obama como presidente. Também é a sua visita inicial, durante o mandato, a um país predominantemente muçulmano, uma viagem muito observada pelo mundo islâmico.

"Eu estou ansioso por fortalecer as relações entre EUA e Turquia e apoiar a visão de Ataturk da Turquia como uma democracia moderna e próspera", escreveu Obama no livro de visitas do túmulo do reverenciado fundador da Turquia moderna.

As relações entre EUA e Turquia pioraram em 2003, quando Ancara se opôs à invasão do Iraque e se recusou a deixar que tropas norte- americanas fossem colocadas em seu território. A Turquia também criticou Washington por permitir que separatistas curdos fiquem no norte do Iraque, de onde realizam ataques em território turco.

Obama conversou com o presidente Abdullah Gul após a visita ao túmulo. A Casa Branca anunciou que, no topo da agenda, estava discutir os desafios regionais, como a ameaça de terrorismo, a guerra no Afeganistão, as relações com o Irã e o objetivo de promover a paz entre Israel e seus vizinhos.

A Turquia é um importante local de passagem das tropas norte-americanas destinadas ao Afeganistão e ao Iraque. Enquanto os EUA reduzem as suas tropas na região, a base aérea Incirlik pode ter um papel chave e Obama abordará esse assunto.

"Devido à atividade e credibilidade turca na vasta região que vai do Afeganistão ao Oriente Médio, passando por rotas de transmissão de energia, Obama quer dar um novo ânimo a uma parceria realmente estratégica com a Turquia", afirmou Cengiz Candar, um importante especialista turco sobre assuntos do Oriente Médio.

IMPORTÂNCIA REGIONAL

Em Praga, no domingo, Obama exortou a União Europeia a aceitar a Turquia como membro do grupo de países, uma sugestão rejeitada completamente pela França e vista friamente pela Alemanha.

A Turquia afirmou que retirou as suas objeções para Anders Fogh Rasmussen se tornar o próximo chefe da Otan após Obama ter garantido que um dos vices do dinamarquês seria um turco.

Obama pode arriscar qualquer nova aproximação se for levantada a questão do massacre de armênios no Império Otomano, em 1915. Durante a sua campanha, o presidente dos EUA prometeu chamar a morte de armênios de genocídio e uma resolução para tal foi introduzida na Câmara dos Deputados norte-americana no mês passado.

Os turcos aceitam que muitos cristãos armênios foram mortos pelos otomanos durante a Primeira Guerra Mundial, mas nega que 1,5 milhão de pessoas tenham morrido em decorrência de um genocídio sistemático.

(Reportagem adicional de Caren Bohan e Ibon Villelabeitia)

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