Obama tem que aceitar Irã como ator regional, segundo analistas

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, terá que aceitar o Irã como ator estratégico se quiser conseguir a paz na região, em vez de limitar sua política a tentar acabar com o programa nuclear iraniano, consideraram analistas.

AFP |

Segundo os especialistas, Teerã e Washington têm interesses em todo o Oriente Médio até o Afeganistão, e uma melhoria das relações entre ambos pode contribuir para pacificar a região.

Para Mohammad Saleh Sadeghian, diretor do Centro de Estudos Árabe-Iranianos de Teerã, o Irã e os Estados Unidos estão atualmente se observando mutuamente.

"Os iranianos estão vigiando as ações concretas dos americanos e os Estados Unidos, e principalmente Obama, estão esperando que o Irã os ajude a definir sua posição sobre o programa nuclear de Teerã e o envolvimento da República Islâmica com o Hezbollah e o Hamas", afirmou.

Os Estados Unidos acusam Teerã de armar e financiar estes dois movimentos radicais e os combatentes xiitas no Iraque. Teerã admitiu prestar apoio moral ao Hezbollah e financeiro ao Hamas, mas negou qualquer assistência militar.

Segunda-feira, Obama estendeu a mão a Teerã, em atitude radicalmente oposta a de seu predecessor George W. Bush, que sempre rejeitou qualquer diálogo com a República Islâmica.

"Se países como o Irã estiverem dispostos a abrir o punho, vamos estender-lhes a mão", disse Obama, em entrevista concedida à rede de TV Al-Arabiya.

"É importante que estejamos dispostos a dialogar com Irã, para indicar claramente nossos pontos de divergência mas também as possibilidades de progresso", acrescentou.

Nesta quarta-feira, o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, declarou que receberia favoravelmente a proposta de Obama se houver "mudanças reais". Além disso, ele afirmou que Washington teria que pedir "desculpas" pelos "crimes" cometidos pelos Estados Unidos contra o Irã nos últimos 60 anos.

No entanto, a política dos Estados Unidos com o Irã deve continuar sendo definida pela posição de Teerã sobre seu programa nuclear.

A nova embaixadora americana na ONU, Susan Rice, prometeu um apoio "direto" ao Irã em caso de suspensão de seu programa nuclear.

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (China, Estados Unidos, Rússia, França e Grã-Bretanha) e a Alemanha se comprometeram a cooperar com o Irã neste sentido.

Teerã sempre rejeitou a oferta, alegando que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis.

Para o analista Frédéric Tellier, do International Crisis Group (ICG), a política de Obama deve reconhecer o papel regional do Irã.

"Os dirigentes iranianos esperam um diálogo ampliado, e de igual para igual, com Washington", afirmou ele à AFP.

"Isso exige uma visão estratégica aceitando o Irã como ator-chave no Oriente Médio", acrescentou.

Terça-feira, o chefe do Estado-Maior americano, Michael Mullen, se pronunciou em favor de um "enfoque regional" da questão afegã, incluindo o Irã vizinho.

Tellier também advertiu para uma estratégia de curto prazo baseada apenas na eleição presidencial iraniana, marcada para junho.

"Tal enfoque levaria o regime a denunciar a ingerência americana. Além disso, o aiatolá Ali Khamenei é o encarregado das questões estratégicas", explicou.

O sociólogo Hamid Reza Jalaipur destacou que cabe a Teerã aproveitar a oportunidade. Caso contrário, "Obama buscará o apoio da Europa, da ONU e dos países árabes para pressionar o Irã".

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