Obama tem caminho cada vez mais livre para a Casa Branca

Por John Whitesides SAINT LOUIS (Reuters) - A um mês do fim da campanha eleitoral, o caminho do republicano John McCain até a Casa Branca torna-se cada vez mais estreito, pois seu rival democrata, Barack Obama, conseguiu passar à frente nas pesquisas de vários Estados estratégicos.

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McCain ainda luta para manter vários Estados vencidos por George W. Bush em 2000 e 2004, especialmente Flórida e Ohio, muito disputados, e também tenta conter a onda Obama em redutos republicanos, como Indiana e Carolina do Norte.

O agravamento da crise econômica e a prolongada negociação do pacote financeiro contribuíram, no entanto, com a percepção do eleitorado de que Obama é melhor para a economia. Isso garantiu a ele a liderança nas pesquisas nacionais e um fôlego extra para as últimas semanas da campanha.

"McCain não tem mais margem de erro --ele precisa conquistar a maior parte dos principais Estados onde a eleição é mais disputada", disse Peter Brown, diretor-assistente da pesquisa da Universidade Quinnipiac.

As pesquisas mais recentes mostram McCain em um confronto difícil em Ohio, Flórida, Virgínia, Carolina do Norte, Colorado, Missouri e Indiana. Bush venceu nesses Estados em 2004, e McCain precisa repetir o resultado para acumular os 270 votos necessários para ganhar no Colégio Eleitoral.

"Se McCain perder em um só deles, está frito", disse Brown. Em quase todos os Estados norte-americanos, o vencedor leva todos os votos para o Colégio Eleitoral, independentemente da margem de vitória.

Na quinta-feira, a campanha republicana decidiu retirar os recursos e a equipe de Michigan, um Estado que em 2004 foi do democrata John Kerry

Obama lidera com mais de 10 pontos percentuais nesse Estado, reduto do setor automotivo, muito afetado pela crise econômica. "Se virmos uma virada em nosso favor, vamos retomar", disse Greg Strimple, consultor de McCain.

Fontes da campanha disseram que McCain realizará uma agressiva campanha de propaganda contra Obama em Estados tradicionalmente republicanos, como Indiana, que desde 1964 não vota nos democratas.

"Vamos garantir que todos saibam quem Barack Obama é. E quando souberem, acreditamos que o Estado voltará a ser tão confiavelmente republicano quanto sempre foi", disse Strimple.

CENÁRIOS

Obama parece em condições de manter todos os Estados vencidos por Kerry em 2004 --inclusive New Hampshire (4 votos eleitorais), onde a situação já esteve equilibrada, mas onde o democrata acabou abrindo mais de 10 pontos de vantagem.

Ele também é favorito em Iowa e Novo México, Estados que foram com Bush há quatro anos. Isso já colocaria Obama a apenas 6 votos dos 270 necessários. Bastaria, então, conquistar um dos vários mais disputados, como Virgínia, Colorado, Ohio e Flórida.

"Estamos atuando de forma bem mais ofensiva do que McCain", disse David Plouffe, coordenador da campanha de Obama, a jornalistas. "Por estarmos tão fortes em Virgínia, Colorado, Iowa, Novo México, Flórida e Ohio-- muitos dos nossos Estados-chave para serem capturados--, nós nos sentimos muito otimistas."

Plouffe se disse especialmente animado com a Flórida, que decidiu por poucas centenas de votos populares a eleição de 2000 em favor de Bush. McCain praticamente não tem condições de chegar à Casa Branca sem conquistar a Flórida, e quatro pesquisas desta semana dão a Obama uma vantagem de 3 a 8 pontos.

"Um Estado com 27 votos eleitorais, que eles pensavam que estivesse na sua base, não poderia estar mais competitivo", comemorou Plouffe.

Os republicanos depositam esperanças no debate entre os candidatos a vice-presidentes, na quinta-feira, quando Sarah Palin teve um desempenho mais convincente do que em entrevistas anteriores. Além disso, McCain e Obama ainda se enfrentam em mais dois debates --o próximo é na terça-feira no Tennessee.

McCain espera transferir o foco da campanha da economia para questões como a sua maior experiência em relação a Obama e a atuação parlamentar do seu rival.

"Queremos virar a página desta crise financeira e voltar a discutir o histórico agressivamente liberal do sr. Obama e como ele seria arriscado demais para os norte-americanos", disse Strimple.

As próximas duas semanas devem mostrar se os recentes avanços de Obama são mais um pico numa campanha marcada por altos e baixos dos candidatos, ou se é o início de um movimento mais significativo para a vitória democrata.

"Se as eleições fossem hoje, Obama venceria por uma margem confortável. Mas é possível que estejamos em um momento de guinada para Obama em que ele conquistaria a vitória democrata mais esmagadora desde 1964."

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