Em um discurso voltado para o futuro, e não preso ao passado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, convidou os chefes de Estado das Américas a criar um novo senso de parceria no hemisfério. Eu peço aos senhores que possamos buscar uma parceria igualitária, sem parceiros juniores ou seniores.

Estou aqui para lançar um novo capítulo", disse o presidente americano em seu discurso de abertura na Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, nesta sexta-feira.

Diante de outros 33 chefes de Estado, Obama sugeriu que, para seguir adiante nesse novo modelo, os países da região "não podem ficar prisioneiros de desavenças do passado".

O presidente americano disse ainda que os Estados Unidos buscam um "novo começo" nas relações com Cuba e que está preparado para discutir temas variados, como direitos humanos e imigração.

"Não estou interessado em falar por falar. Eu acredito que podemos colocar as relações Estados Unidos-Cuba em uma nova direção. Os Estados Unidos querem um novo começo com Cuba", disse Obama.

Responsabilidades
Além de sugerir um novo modelo de parceria com a região, Obama também pediu contrapartidas.

Segundo ele, os Estados Unidos estão preparados para "assumir os erros do passado", mas que seu país "não pode ser culpado por tudo que acontece no hemisfério".

"Isso é parte da mudança que precisa acontecer", disse Obama. "Não são só os Estados Unidos que precisam mudar. Todos nós temos responsabilidades", acrescentou.

O presidente americano destacou a "diversidade" entre os países da região.

"Cada uma das nações tem o direito de seguir seu próprio caminho. Mas todos temos a responsabilidade de garantir que a população das Américas possa perseguir seus próprios sonhos em sociedades democráticas", disse Obama.

Durante seu discurso, Obama propôs a criação de uma parceria específica para energia.

Segundo ele, o objetivo é consolidar a "a visão e a determinação de países como México e Brasil".

De acordo com o presidente americano, os dois países têm feito um "excelente" trabalho na promoção de energias renováveis.

"Saudação histórica"
Pouco antes da abertura da cúpula, os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Venezuela, Hugo Chávez, trocaram um breve cumprimento.

Em um ato que o governo venezuelano está classificando como "uma saudação histórica", os dois líderes se cumprimentaram e Chávez afirmou querer se tornar "amigo" de Obama.

"Com esta mesma mão, há oito anos, eu cumprimentei (o ex-presidente norte-americano George W.) Bush. Quero ser seu amigo", disse Chávez a Obama, segundo a página de internet do Ministério das Comunicações da Venezuela.

Leia também na BBC Brasil: Em cúpula, Chávez diz querer ser 'amigo' de Obama

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