Obama subestima chances de reforma da imigração

Líder americano indica que Congresso deve priorizar legislação de energia; hispânicos programam protestos contra lei do Arizona

iG São Paulo |

AP
Barack Obama, presidente dos Estados Unidos
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta quarta-feira que pode não haver "apetite" no Congresso para imediatamente tratar da controversa reforma da imigração nos Estados Unidos, enquanto a ênfase permanecer sobre a legislação de energia antes das eleições parlamentares de novembro.

Falando a bordo do avião presidencial Air Force One, Obama reiterou seu desejo de que haja um esforço bipartidário para uma reforma compreensiva da imigração, mas pareceu relutante em apresentar a pauta antes da lei de mudança climática.

Os republicanos deixaram claro que não cooperarão com a questão da mudança climática se o assunto da imigração não for retirado da mesa.

Lei do Arizona

As declarações de Obama ocorrem no momento em que parlamentares hispânicos e democratas dos Estados Unidos, furiosos com uma rígida lei anti-imigração aprovada no Arizona, anteveem enormes manifestações em todo o país no fim de semana, o que aumentará a pressão para que Obama reforme a legislação federal sobre o tema neste ano eleitoral.

Organizadores dos protestos disseram nesta quarta-feira que a indignação com a lei do Arizona mobilizou os latino-americanos e se traduzirá em um grande comparecimento às celebrações de 1.º de Maio em mais de 70 cidades americanas. "As passeatas e manifestações terão uma presença muito mais expressiva do que seria (sem a lei)", disse Juan José Gutierrez, organizador de uma manifestação em Los Angeles.

A lei sancionada na sexta-feira pela governadora Jan Brewer prevê, entre outras medidas, que a polícia tem o dever de verificar o status migratório de quem despertar uma "suspeita razoável" de ser imigrante ilegal. Críticos dizem que isso induz à discriminação racial.

Defensores republicanos da lei dizem que ela é necessária para coibir a criminalidade nesse Estado na fronteira com o México, rota do tráfico de drogas e pessoas.

Nas ruas de Los Angeles a Nova York, a multidão somada pode superar a de 2006, quando centenas de milhares reivindicaram uma reforma na imigração que abrisse caminho para a legalização dos estrangeiros atualmente clandestinos - projeto que o então presidente George W. Bush encampou, mas que acabou paralisado no Congresso.

"Com o que está acontecendo no Arizona vemos uma energia renovada para que o pessoal brigue pela reforma da imigração", disse Marissa Graciosa, da entidade Movimento de Reforma da Imigração Justa, que realiza comícios e vigílias na sexta-feira e sábado.

Em Washington, um grupo de mais de 24 parlamentares - incluindo hispânicos, negros, asiáticos e brancos- derem uma coletiva em frente ao Capitólio nesta quarta-feira para denunciar a lei do Arizona como uma violação dos direitos civis.

"O que o Arizona fez foi que galvanizou, uniu, fortificou, focou nosso movimento pela imigração", disse o deputado democrata Luis Gutiérrez, líder do "cáucus" (bancada informal) hispânico. Para ele, quando a reforma tiver sido aprovada, este será apontado como o momento decisivo.

Impacto internacional

O governo americano admitiu nesta quarta-feira "um impacto internacional" da lei promulgada no Arizona. "Claramente, está havendo um impacto, sobretudo no México, mas em todos os lugares também", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley.

"Somos conscientes de que o governo do México alertou seus cidadãos para as viagens. Então, claramente há um impacto internacional com tudo isto", disse.

*Com Reuters e AFP

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