Obama segue defesa da reforma e desafia republicanos

María Peña. Washington, 25 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje que a reforma do sistema de saúde não é o armagedom previsto pelos republicanos no Congresso, e desafiou os opositores a utilizarem isso, assumindo os riscos, como arma eleitoral em novembro.

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"Esta é a reforma pela qual alguns em Washington seguem gritando e agora que foi aprovada já prometem revogá-la. Vão postular-se com uma plataforma para repeli-la em novembro", assinalou Obama em discurso na Universidade de Iowa.

Ao mesmo tempo, o Senado americano aprovou hoje o plano de emendas à reforma, que aguarda agora uma segunda votação na Câmara de Representantes.

"Eu lhes digo, sigam adiante. Se esses congressistas em Washington quiserem vir a Iowa e dizer aos pequenos empresários que pensam em tirar deles seus créditos tributários e, basicamente, aumentar os impostos, serão bem-vindos", enfatizou Obama.

Em discurso às vezes populista e combativo, Obama insiste que a reforma "não é o armagedom" denunciado pelos republicanos e que, pelo contrário, beneficiará milhões de pessoas.

Obama tenta vender à opinião pública o alcance da reforma que promulgou na terça-feira passada e que promete levar cobertura médica a mais 32 milhões de pessoas até 2019, impor mais regulações às seguradoras e espera reduzir o déficit federal.

A visita a Iowa City é a primeira parada de uma campanha de conscientização, com vistas às eleições de 2 de novembro, sobre os benefícios da reforma para os pequenos empresários e para os que não possuem seguro.

Obama pintou a aprovação da reforma como uma vitória do povo após uma luta que começou com assembleias populares e denúncias sobre os excessos das seguradoras.

A reforma não é perfeita, mas também não foi um "armagedom" e "os cínicos e pessimistas terão que confrontar finalmente a realidade do que é e não é a reforma", ressaltou Obama.

O presidente explicou que a nova lei será aplicada de forma escalonada em um prazo de quatro anos. "Temos que fazer as coisas de maneira responsável", afirmou.

Obama se queixou da campanha de medo e do que chamou de "retórica incendiária" dos detratores, mas se disse pronto "para a luta".

Do lado de fora, em ruas próximas à estrada que conduz ao campus universitário, alguns manifestantes erguiam cartazes com mensagens como "a reforma assassina bebês".

Em paralelo ao discurso, o Senado dos EUA aprovou por 56 a 43 um plano de emendas à reforma sanitária.

As emendas, que incluem mais subsídios para pobres e créditos tributários para a compra de seguros, foram prometidas aos democratas para conseguir a ratificação no domingo passado.

Após uma longa sessão de 40 emendas republicanas derrotadas pelos democratas, o Senado devolveu o plano à Câmara, já que a oposição conseguiu eliminar duas cláusulas sobre empréstimos para estudantes pobres.

O plano de emendas foi votado em processo de 'reconciliação', que só requeria uma maioria simples (51 votos), mas que com qualquer mudança exigia uma segunda votação na Câmara.

"Foi uma luta legislativa que marcará um recorde", disse o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, ao falar das 13 horas de votações nos últimos dois dias.

A Câmara prevê votar esta noite o plano e, caso não ocorra nenhuma surpresa, enviá-la à Casa Branca.

Mesmo assim, os republicanos e grupos conservadores aliados prometeram continuar a luta até conseguir a revogação da reforma, que tacham como uma custosa ingerência do Governo, capaz de aumentar o déficit e os impostos.

Tanto Obama como a hierarquia democrata no Congresso condenaram as ameaças e atos de violência contra os democratas que apoiaram a reforma, dos quais pelo menos dez pediram proteção policial.

Por sua vez, em entrevista coletiva, o líder da minoria republicana na Câmara, Eric Cantor, condenou taxativamente os atos de violência, mas acusou os democratas de "alimentar as chamas de forma perigosa" com fins políticos.

O político diz também ter sido alvo de ameaças. Num incidente que ainda está sendo investigado, um tiro atingiu a janela de seu escritório, em Richmond (Virgínia). EFE mp/rr

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