Washington, 6 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, retornou hoje a Washington após alguns dias de descanso em Camp David, em meio à polêmica com a renúncia de um assessor ambiental e pronto para a difícil reabertura do trabalho político.

Van Jones, assessor em temas ambientais de Obama, renunciou após a controvérsia surgida por seu apoio a uma organização que questiona se altos funcionários do Governo anterior estiveram envolvidos nos atentados de 11 de setembro de 2001.

A renúncia, que foi anunciada na madrugada de domingo, ocorre no momento em que Obama tenta recuperar o controle do debate sobre a reforma do sistema de saúde no país.

O presidente comparecerá na quarta-feira no Congresso para deixar clara sua posição a respeito.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou hoje que Obama considera inclusive redigir seu próprio projeto de lei, diante da incapacidade dos democratas no Congresso de chegar a um consenso.

O porta-voz presidencial disse, em declarações à rede de televisão "ABC", que os americanos saberão exatamente o que Obama defende após o discurso do líder americano na quarta-feira.

Neste momento, não está claro qual é o plano de Obama para iniciar um programa de cobertura patrocinado pelo Governo para competir com as seguradoras privadas.

O início de um sistema de atendimento público é um tema não negociável para a ala mais progressista do Partido Democrata, mas tanto Gibbs quanto o assessor presidencial David Axelrod evitaram dizer hoje se Obama vetaria uma lei que não inclua a opção pública.

A citada reforma, que a Casa Branca descreveu como o principal objetivo de sua política interna, perdeu apoio nas pesquisas, mas a maioria ainda apoia a medida.

Com a nova legislação, a Casa Branca busca debater a cobertura médica universal, assim como diminuir os elevados custos dos planos de saúde privados. Atualmente, cerca de 47 milhões de americanos não têm seguro médico.

Obama quer que a reforma seja aprovada este ano, mas a oposição republicana e as próprias divergências entre os democratas dificultam chegara a esse objetivo.

Além disso, há o falecimento do senador Edward Kennedy, que deixa os democratas - momentaneamente, até a escolha de um sucessor - sem os 60 senadores necessários para evitar o subterfúgio parlamentar do partido em minoria, neste caso, os republicanos, para prolongar debates e impedir votações.

O presidente americano deve participar amanhã, em Cincinnati (Ohio), de um ato convocado pelos sindicatos do país por ocasião do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, e no momento em que a taxa de desemprego está no nível mais alto em 26 anos.

Na terça-feira, Obama estará em uma escola do norte da Virgínia, estado vizinho à capital, para pronunciar um discurso por ocasião da reabertura do ano letivo, no qual incentivará as crianças do país a se esforçar em seus estudos e buscar uma educação superior.

O discurso se transformou em uma arma para os conservadores que dizem que Obama quer doutrinar as crianças e o acusam de transformar o evento em um ato político.

O discurso será transmitido ao vivo através do site da Casa Branca e os centros de ensino do país terão a opção de se conectar.

No entanto, a polêmica já fez com que vários distritos escolares em estados como Texas, Illinois, Minnesota, Missouri, Virgínia e Wisconsin tenham decidido não retransmitir o discurso em seus centros.

Gibbs afirmou na sexta-feira que o furor gerado em torno do assunto não faz sentido.

"Acho que realmente chegamos ao momento ridículo em que o presidente dos Estados Unidos não pode dizer às crianças nos colégios que estudem duro e que não parem na escola", afirmou Gibbs.

EFE tb/an

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