Obama se empenharia mais que McCain no Oriente Médio, dizem analistas

Analistas israelenses e palestinos ouvidos pela BBC Brasil acreditam que se for eleito, o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, deverá se empenhar mais do que seu rival republicano John McCain em solucionar o conflito entre os dois povos. O analista político do jornal israelense Haaretz, Akiva Eldar, disse à BBC Brasil que acredita que Obama poderá trazer uma mudança significativa na atitude dos Estados Unidos em relação ao processo de paz.

BBC Brasil |

"Tenho certeza de que haverá uma mudança pois Obama vê a solução do conflito como parte integral do caminho de saída do Iraque", afirmou Eldar.

"Obama considera essencial a criação de uma estabilidade no Oriente Médio para que seja possível retirar as tropas americanas daquele país, e nesta visão, uma solução para a questão palestina é fundamental".

Para Eldar, a atual crise econômica vai levar Obama a se envolver de uma maneira "muito mais ativa" para criar uma nova estabilidade no Oriente Médio.

"A guerra no Iraque custa US$ 100 bilhões por ano e o preço do petróleo também depende da situação política nesta região", disse.

Leando M. Pinto

Obama tem a preferência da maioria da população mundial

Além dos aspectos políticos e econômicos, Eldar considera o candidato democrata "mais sensível às questões de direitos humanos e, portanto, mais consciente de que situações de ocupação não podem continuar".

Entre os palestinos, alguns analistas também acreditam que Obama deverá se envolver mais na resolução do conflito, mas muitos são céticos em relação à possibilidade de uma mudança significativa na atitude dos Estados Unidos em relação a Israel.

"De maneira geral os palestinos preferem Obama", disse o sociólogo Nassar Ibrahim, "mas não tenho grandes expectativas de mudança".

"Obama será mais ativo, mas não acho que realmente irá pressionar Israel a se retirar dos territórios palestinos", afirmou.

"De acordo com a nossa experiência no passado, tanto os republicanos como os democratas sempre consideraram Israel seu principal aliado no Oriente Médio e apoiaram Israel. Não espero mudanças drásticas."

Pró-Israel

Pesquisas em Israel apontam, entretanto, que a maior parte da população prefere o candidato republicano.

Segundo o escritor Shlomo Nakdimon, a preferência dos israelenses por John McCain "é óbvia".

"McCain representa a continuação do governo de George W. Bush, que foi o governo americano mais pró-Israel das últimas décadas", disse Nakdimon à BBC Brasil.

"Não há dúvidas de que desde o presidente (Harry) Truman, não houve um presidente americano que deu um apoio tão grande e incondicional a Israel como George W. Bush e é claro que os israelenses dão preferência ao candidato que eles consideram que daria continuidade a essa política", concluiu o escritor.

De acordo uma pesquisa publicada nesta semana, 46.4% dos israelenses votariam em McCain e apenas 34% em Obama.

A possibilidade de que Obama exerça pressão sobre Israel e sua intenção de dialogar com o Irã explicam a preferência dos israelenses pelo candidato republicano.

A pesquisa foi encomendada pelo Instituto de Relações Israel-Estados Unidos.

O diretor do instituto, Alon Pinkas, disse ao site de notícias Ynet que o resultado da pesquisa indica uma "diferença significativa" entre as posições dos israelenses e dos judeus americanos.

Segundo as pesquisas, mais de 70% dos judeus americanos pretendem votar em Obama.

Ceticismo

De acordo com o palestino Ghassan Hatib, diretor do centro de pesquisas e comunicações JMCC em Jerusalém Oriental, poucos palestinos acreditam na possibilidade de que Obama venha a mudar sua situação.

Segundo uma pesquisa recente do JMCC, a maioria dos palestinos não tem preferência por candidato algum nas eleições americanas.

Os resultados da pesquisa, realizada no inicio de outubro, indicam que 47.4% dos palestinos não têm preferência, 37.3% preferem Obama e apenas 15.3% apóiam McCain.

"Eu prefiro Obama", disse Hatib, "acho que ele será mais ativo e envolvido na questão do conflito e pode até chegar a exercer uma certa pressão sobre Israel, talvez semelhante à pressão exercida na época do governo de Bush, o pai do atual presidente".

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