Obama se despede do Senado para enfrentar crise nos EUA e no resto do mundo

Washington, 16 nov (EFE).- O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, renunciou hoje a seu cargo no Senado americano a pouco mais de dois meses de sua posse e quando o mundo espera que ele seja o guia em meio à tempestade econômica e financeira.

EFE |

"Hoje encerro uma etapa e começo outra", declarou Obama, de 47 anos, em carta na qual expressa sua gratidão ao povo do estado americano de Illinois, que o elegeu senador há dois anos.

"Deixo o Senado e me preparo para as responsabilidades que assumirei como próximo presidente de nossa nação", acrescentou Obama, cuja ausência na Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), deu à reunião um caráter mais de promessas que ação.

O "The Wall Street Journal" e outros veículos da imprensa americana afirmaram hoje que o presidente dos EUA, George W. Bush, convocou a Cúpula do G20 às pressas e que foi concluída com uma declaração de unidade frente à crise e votos de cooperação.

A receita resumida na declaração final da Cúpula do G20 inclui os ingredientes já usados por Reino Unido, Japão, Alemanha e China, entre os quais se encontram corte da taxa de juros e estímulos fiscais por meio da redução ou reembolso de impostos.

O Congresso americano aprovou, e Bush promulgou em fevereiro deste ano, um reembolso de impostos que distribuiu US$ 155 bilhões a mais de 130 milhões de contribuintes, mas agora resiste a mais uma dose do mesmo remédio.

Obama, que venceu a eleição presidencial de 4 de novembro com 52% do voto popular e que terá maioria democrata tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, se mostrou a favor do estímulo.

Além disso, Obama disse que se os parlamentares não aprovarem este plano antes do final do ano isto será prioridade após sua posse, em 20 de janeiro.

No terceiro trimestre deste ano, a economia dos EUA teve a primeira contração (de 0,3%) desde 2001, os números de desemprego e execuções hipotecárias chegaram a níveis sem precedentes em várias décadas, enquanto os gastos dos consumidores recuaram.

As expressões de unidade perante a crise e cooperação para as soluções, contidas no comunicado do G20, dependem do dilema enfrentado por Obama, um político que atraiu grande simpatia no resto do mundo, mas que deve atentar principalmente para seu país.

"Nunca esquecerei os trabalhadores em Galesburg, que enfrentam o fechamento de uma fábrica para a qual tinham dado suas vidas e se perguntaram como cuidarão da saúde dos filhos doentes sem empregos e com pouco dinheiro", afirma Obama em sua carta ao povo de Illinois.

"Os problemas que encaramos como país são agora maiores e mais difíceis do que quando eu cheguei a Chicago", acrescentou o presidente eleito, que durante a campanha prometeu que revisaria os pactos comerciais que os EUA assinaram com outros países e aos quais ele atribui a perda de milhões de postos de trabalho.

A cúpula decidiu que o G20 terá outra reunião antes de 30 de abril, o que abre um prazo de cinco meses e meio durante os quais o mundo verá se a crise financeira global pode esperar Obama chegar à Casa Branca ou dá ao futuro presidente americano apenas dois meses para definir um novo rumo.

"O G20, que se reuniu por menos de seis horas no Museu Nacional da Construção (NBM, em inglês), deixou as decisões mais difíceis para encontros futuros", destacou o "Wall Street Journal".

"A próxima (reunião) pressiona Obama para encarar uma série de assuntos econômicos e reguladores cruciais imediatamente após assumir seu cargo", acrescentou o jornal americano. EFE jab/wr/fal

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