Obama se dedica a conquistar a sociedade turca em seu último dia em Istambul

O presidente americano, Barack Obama, dedidicou sua agenda nesta terça-feira a falar diretamente com a sociedade turca em Istambul e visitou duas mesquitas, reforçando o discurso da véspera em Ancara de que deseja se aproximar da Turquia e do mundo muçulmano.

AFP |

Na véspera, no início de sua primeira visita a um país muçulmano, Obama garantiu que os Estados Unidos "não estão e nunca estarão em guerra contra o islã", reafirmando sua vontade de iniciar uma "parceria com o mundo muçulmano", com ações concretas principalmente no sentido da educação.

Após a lição magistral, os trabalhos práticos: o presidente deu continuidade em Istambul à sua visita de dois dias à Turquia, última etapa de seu giro europeu, visitando dois lugares simbólicos do islã e de suas relações com o mundo cristão.

Acompanhado do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, Obama andou por Santa Sofia, escutando com muita atenção a história desta basílica construída no século VI, depois transformada em mesquita em 1453, após a conquista de Constantinopla (atual Istambul) pelos otomanos.

O prédio se tornou em 1935, por decreto da República turca laica, um museu onde o presidente Obama pode admitir os mosaicos cristãos originais, conservados durante o período otomano por ordem do sultão, e as caligrafias muçulmanas.

De lá, Obama foi à Mesquita azul, construída no século XVII por ordem do sultão otomano Ahmet I, onde, de meias, viu as pedras turquesas às quais a mesquita deve seu nome.

Obama tirou os sapatos, como é tradição, para entrar no templo, protegido por um amplo dispositivo de segurança.

Dois pregadores muçulmanos guiaram Obama pela grandiosa construção e o presidente, cristão praticante, sorriu ao saber da boca do mufti que seu segundo nome, Hussein, está inscrito na cúpula da mesquita. Hussein era um dos netos do profeta Maomé.

O presidente americano falou antes com dirigentes dos diferentes grupos religiosos - muçulmanos, gregos ortodoxos, armênios, judeus - que vivem na Turquia.

Ele encerrou sua visita à Turquia com uma conversa com estudantes de diferentes universidades turcas, durante a qual ele se transformou em professor para explicar a política de seu país em assuntos tão variados como armas nucleares e mudanças climáticas.

"Alguns pensam que os Estados Unidos são um país egoísta", declarou Obama, que pediu aos estudantes presentes no centro cultural de Tophane que desconfiem de coisas que escutam sobre seu país.

Após uma breve introdução, o professor Obama passou a responder as perguntas, feitas em inglês e em turco, traduzidas por um intérprete.

O que o senhor vai fazer para lutar contra o aquecimento global?, É a favor da paz no mundo?, Por quê defende a adesão da Turquia à União Europeia?: estas foram algumas perguntas feitas ao presidente americano.

Durante o discurso, Obama reiterou sua mensagem aos muçulmanos, afirmando: "Acho que podemos fazer uma parceria com a Turquia e em todo o mundo muçulmano, rumo a novas oportunidades.

Ele também lançou um apelo específico aos jovens, declarando principalmente: "Simples trocas podem derrubar o muro que existe entre nós. Eu quero dizer-lhes que o mundo será o que vocês fizerem dele..."

"Vocês podem decidir construir novas pontes, em vez de construir novos muros. Vocês podem escolher deixar de lado as velhas divisões, e caminhar rumo a uma paz duradoura", disse.

Ele aproveitou também para renovar seu apoio a uma adesão da Turquia à União Europeia.

A mão estendida do presidente americano ao mundo muçulmano foi unanimemente elogiada nesta terça-feira pela imprensa turca, assim como sua insistência sobre o caráter estratégico das relações entre os EUA e a Turquia, que pioraram com a ocupação americana do Iraque, em 2003.

"Obama conquistou corações", escreveu o jornal popular Vatan em sua primeira página.

Obama deixou a Turquia no início da tarde de volta para Washington.

nc/lm

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