Obama se compromete com reforma migratória perante 175 mil manifestantes

Washington, 21 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se comprometeu hoje a fazer tudo de sua parte para realizar ainda este ano a reforma migratória no país, em mensagem que surpreendeu cerca de 175 mil manifestantes que se concentravam hoje em Washington para reivindicar a medida.

EFE |

Em uma gravação de vídeo, transmitida através dos telões instalados no parque National Mall, Obama foi o destaque na qual foi a maior manifestação de seu mandato até o momento.

Em sua mensagem, ovacionada com calorosos aplausos, o presidente americano assegurou: "Sempre prometi a vocês ser seu aliado enquanto nos esforçamos em regular nosso sistema quebrado de imigração, e esse é um compromisso que reitero hoje".

"Ninguém conhece o preço da inação melhor do que vocês", assegurou o chefe da Casa Branca. Segundo ele, "a reforma da imigração é crucial para nossa segurança e nossa prosperidade".

"Prometo fazer todo o possível para conseguir um consenso entre os dois partidos este ano a respeito deste importante assunto", assegurou o líder americano, que durante a campanha eleitoral prometeu uma reforma migratória para seu primeiro ano de mandato.

Obama admitiu que "não será fácil e não ocorrerá da noite para o dia". No entanto, ressaltou: "Se colaborarmos, poderemos conseguir um futuro digno de nossa história como nação de imigrantes".

O Fórum Nacional de Imigração, um dos grupos organizadores da manifestação, calculava que às 15h local (16h de Brasília), uma hora depois do início da concentração, cerca de 175 mil pessoas se aglomeravam no parque do centro de Washington.

Segundo Clarissa Martínez, do Conselho Nacional da Raça, "as expectativas de presença foram bastante superadas, mesmo em uma temporada econômica tão difícil. Esperávamos talvez 50 mil pessoas, mas parece que o número foi muito maior".

Procedentes de vários lugares dos Estados Unidos, os manifestantes, que chegaram de avião, ônibus e, em alguns casos, a pé, cantavam gritos de "Sim, é possível" ou "Legalização sim, deportação não", em inglês e em espanhol.

Muitos deles, vestidos com camisetas brancas como tinham pedido os organizadores, levavam cartazes nos quais se liam mensagens como "A mudança necessita coragem" ou "A legalização é a solução".

Os ativistas reivindicam uma reforma que possibilite a legalização dos imigrantes ilegais que já se encontram no país, permita aos trabalhadores trazer suas famílias e impeça a exploração trabalhista.

Frustrados perante o que consideram uma falta de movimento para promover a reforma, os manifestantes exigiram a Obama que cumpra o prometido durante a campanha eleitoral. Nas eleições presidenciais de 2008, Obama contou com dois terços do voto latino.

Além do presidente, participaram como oradores na manifestação personalidades como o congressista democrata Luis Gutiérrez, de Illinois, que declarou que "a luta não termina agora, mas começa agora".

Discursaram também o senador Robert Menendez, democrata por Nova Jersey; Janet Murguía, diretora do Conselho Nacional da Raça; e a atriz mexicana Lucía Méndez.

A manifestação ocorre três dias depois que dois senadores, o democrata Charles Schumer e o republicano Lindsey Graham, apresentaram uma proposta de reforma na área de imigração.

Essa proposta prevê o reforço da segurança na fronteira, o início de uma via "dura, mas justa" de legalização para os imigrantes ilegais, a criação de cartões de previdência social que impeçam que os trabalhadores ilegais possam obter empregos e o estabelecimento de um processo de admissão de trabalhadores temporários.

Obama expressou havia expressado apoio a essa medida, o que reiterou hoje em seu discurso aos manifestantes.

A manifestação de hoje acontece três anos depois das grandes manifestações que ocorreram por todo o país para reivindicar uma reforma, que culminou fracassada no Congresso americano. EFE mv/sa

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