O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, nesta segunda-feira, leis de proteção ambiental, entre elas, medidas para limitar o consumo de combustível e as emissões de gases de efeito estufa, como forma de tornar o país menos dependente do exterior em matéria energética. Ao assinar as disposições, Obama afirmou que essas medidas são voltadas para conter a ameaça do aquecimento global para evitar catástrofe irreversível e atos de violência.

"A América não será refém da diminuição dos recursos, dos regimes hostis e do aquecimento do planeta", declarou Obama, revertendo decisões tomadas pelo seu antecessor, George W. Bush.

"Não vamos ficar sem nada fazer sob o pretexto que agir é difícil. Esse é o momento de fazer coisas difíceis", insistiu, afirmando que "é hora de ir ao encontro dos desafios da encruzilhada da história, escolhendo um futuro mais seguro para o nosso país e mais próspero e sustentável para o nosso planeta."

A ruptura com as políticas do ex-presidente George W. Bush para o meio ambiente, muito esperada por boa parte da comunidade internacional, foi concretizada, também, com a nomeação de um delegado encarregado do aquecimento climático.

Advogado e especialista em meio ambiente no centro de pesquisa de Washington Center for American Progress, Todd Stern foi conselheiro do presidente Bill Clinton de 1993 a 1998. Desempenhou, também, papel central nas negociações do Protocolo de Kyoto de 1997 a 1999, antes de se tornar conselheiro do secretário americano do Tesouro de 1999 a 2001.

Entre as medidas tomadas hoje pelo presidente dos Estados Unidos, estão a decisão de permitir que os Estados americanos possam determinar o nível de emissões de poluentes considerados aceitáveis, além da construção de frotas de veículos que economizem combustível e representem investimentos em "economia energética" para criar empregos.

Assim, Obama pediu à Agência de Proteção do Meio Ambiente (EPA, sigla em inglês) reexaminar a possibilidade de conceder ao estado da Califórnia - na vanguarda do combate à poluição - o direito de impor suas próprias restrições às emissões de gases de efeito estufa pelos automóveis.

O governo de Bush havia negado este direito à Califórnia e a outros estados.

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, saudou o anúncio do presidente, afirmando que "a Califórnia e o meio ambiente têm agora um aliado forte na Casa Branca".

Esta era uma reivindicação antiga de Schwarzenegger, que teve vários atritos sobre o assunto com o ex-presidente George W. Bush, apesar de ambos serem republicanos.

O presidente americano também anunciou a intenção de impor regras mais rígidas em matéria de eficiência energética no âmbito federal.

Ele pede ao ministério dos Transportes que tome providências para garantir que o parque automobilístico americano apresente até 2020 um consumo médio de 35 milhas por galão (mais de 56 km por 3,78 litros).

De acordo com a imprensa local, as diretrizes presidenciais vão obrigar as montadoras a acelerar o ritmo para produzir e comercializar veículos que consumam menos combustível.

Segundo o presidente americano, as novas diretrizes são uma alternativa a "uma confusa colcha de retalhos que fere o ambiente e a a indústria automotiva".

Além da Califórnia, 13 Estados americanos poderão definir seus próprios padrões de níveis de emissões de gases poluentes. A Califórnia chegou a propor restrições que obrigariam a indústria automotiva cortar a emissão de gases de efeito estufa em novos veículos em 30% até 2006. Mas o pedido foi negado em 2007 pela Agência de Proteção Ambiental da Califórnia por intervenção do presidente Bush.

Obama afirmou que o governo federal vai trabalhar em conjunto com os Estados para reduzir a emissão de poluentes; no seu entender seu governo "não vai negar fatos, mas ser guiado por eles".

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