Obama revelará estratégia para enxugar Exército dos EUA

Revisão das prioridades militares provavelmente conterá grandes cortes no número de soldados e enfatizará a segurança na Ásia

iG São Paulo |

AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre economia em cidade de Ohio em 4 de janeiro
O presidente dos EUA, Barack Obama, porá sua marca pessoal em uma estratégia de reformulação do Pentágono para absorver centenas de bilhões de dólares em cortes no Orçamento de Defesa, marcando uma mudança na política de segurança dos EUA depois de uma década de guerra.

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Obama planeja fazer uma rara aparição às 10h50 locais (13h50 em Brasília) no Pentágono para anunciar resultados de uma revisão da estratégia que ordenou em março de 2011. Eram dois os objetivos: simplificar o Exército em uma era de orçamentos menores e reavaliar as prioridades de Defesa em meio à ascensão da China e a outras mudanças globais.

A decisão de Obama de anunciar ele mesmo os resultados destaca a dimensão política do debate de Washington sobre as economias em Defesa. A administração diz que orçamentos menores do Pentágono são um dever, mas que não virão ao custo de exaurir a força de um Exército em transição, mesmo que fique menor.

Em um ano de eleição presidencial , a estratégia dá a Obama um instrumento de retórica para defender suas escolhas pelos cortes orçamentários no Pentágono. Os pré-candidatos republicanos para a Casa Branca já criticaram Obama em uma ampla gama de questões de segurança nacional, incluindo defesa de mísseis, o Irã e as reduções planejadas no números de forças terrestres.

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Obama também quer que a nova estratégia represente um ponto crucial em sua condução da política de Defesa, que tem sido sobrecarregada durante sua presidência pelas guerras que herdou e pelo fato de elas consumirem muitos recursos.

A estratégia aprimorada, a ser detalhada em uma coletiva a que também comparecerão o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, e o chefe do Estado-Maior Conjunto americano, o general do Exército Martin Dempsey, não deve alterar radicalmente as prioridades de Defesa. Ela deve abrir caminho, entretanto, para cortes esperados na Europa e em grandes programas de armas. Também deve dar ênfase maior às ameaças como a guerra cibernética e o terrorismo.

O governo e o Congresso já estão revisando os gastos em Defesa para refletir o fim da Guerra do Iraque e a diminuição no número de soldados no Afeganistão . O enorme orçamento de Defesa de US$ 662 bilhões planejado para o próximo ano é US$ 27 bilhões menor do que Obama queria e US$ 43 bilhões menor do que o Congresso deu ao Pentágono neste ano.

Os fatores que direcionam a abordagem do governo de Obama para reduzir o orçamento de Defesa não se limitam à estratégia de combate. Também incluem julgamentos de como conter os crescentes custos militares em assistência à saúde, folha de pagamento e benefícios previdenciários. O governo deve formar uma comissão para estudar a questão dos benefícios previdenciários, possivelmente liderada por um importante militar da reserva.

O governo está na fase final de decidir sobre cortes específicos no Orçamento de 2013, que Obama apresentará ao Congresso no próximo mês. A estratégia a ser anunciada por Panetta e Dempsey tem o objetivo de acomodar cerca de US$ 489 bilhoes em cortes de Defesa durante os próximos dez anos, como pedido em um acordo orçamentário com o Congresso em julho de 2011. Um corte adicional de US$ 500 bilhões será pedido para começar a vigorar a partir janeiro de 2013.

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Um tema importante para a nova estratégia do Pentágono deve ser o que Panetta chamou de um compromisso renovado para a segurança na região da Ásia-Pacífico. Em uma viagem no ano passado à Ásia, Panetta deixou claro que a região será central na estratégia de segurança americana.

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A administração não prevê um conflito militar na Ásia, mas Panetta acredita que os EUA ficaram tão mergulhados no Iraque e no Afeganistão depois do 11 de Setembro que perdeu suas chances de melhorar sua posição em outras regiões.

A China é uma preocupação particular por causa de seu dinamismo econômico e pelo rápido crescimento em defesa. Uma questão mais imediata é o Irã, não apenas por suas ameaças de interromper o fluxo internacional do petróleo , mas também por suas ambições nucleares .

*Com AP

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