Obama revela plano de estímulo econômico

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, revelou neste sábado um amplo programa para icentivar a criação de empregos e impulsionar a estagnada economia americana, prioridade máxima para o próximo governo, que assume no dia 20 de janeiro.

AFP |

"Economistas de todas as convicções políticas concordam que, se não agirmos de maneira rápida e eficaz, assistiremos a uma queda econômica muito mais profunda, que pode levar a uma taxa de desemprego de dois dígitos e afastar cada vez mais o sonho americano", declarou Obama em seu discurso semanal no rádio.

"Por isso, precisamos de um plano de recuperação e investimento nos Estados Unidos, que não apenas crie empregos a curto prazo mas também estimule o crescimento e a competitividade a longo prazo", afirmou.

A equipe econômica de Obama vinha discutindo o plano de recuperação da economia há várias semanas. E, segundo o vice-presidente eleito Joe Biden, as negociações já estavam quase concluídas antes do Natal.

Para dar novo fôlego à maior economia do mundo, que tenta se manter de pé em meio ao caos financeiro internacional - provocado, em boa medida, por ela mesma -, Obama disse que "o objetivo número um" de seu plano é a criação de três milhões de empregos, 80% deles no setor privado.

"Para que as pessoas voltem a trabalhar hoje e nossa dependência do petróleo estrangeiro seja reduzida amanhã, duplicaremos a produção de energias renováveis e reformaremos edifícios públicos para torná-los energeticamente mais eficientes", indicou o presidente eleito.

Além disso, Obama defendeu "investimentos a longo prazo", como a realização de obras de infra-estrutura, a modernização do sistema de saúde e a construção de instituições de ensino "do século XXI", assim como "um desconto fiscal direto para 95% dos trabalhadores americanos".

"Este plano precisa ser traçado de uma nova maneira - não podemos simplesmente recair no velho hábito de Washington de jogar dinheiro no problema", disse, anunciando "investimentos estratégicos", "vigorosa supervisão e rígida contabilidade" e "responsabilidade fiscal" na aplicação de seu projeto.

Na segunda-feira, Obama se reunirá com líderes do Congresso para finalizar seu multibilionário plano de estímulo econômico - plano este que os democratas esperam ser aprovado no parlamento americano pouco depois da posse do novo presidente, no dia 20 de janeiro.

De acordo com a imprensa americana, a conta apresentada aos congressistas pela nova administração pode chegar a impressionantes 850 bilhões de dólares, enquanto alguns analistas chegam a especular cifras na casa do trilhão.

"Cerca de dois milhões de americanos perderam seus empregos no ano passado - e milhões estão trabalhando ainda mais duro em empregos que pagam menos e oferecem menos benefícios", destacou Obama.

"Agora que chegamos até aqui, os problemas que enfrentamos hoje não são problemas democratas ou problemas republicanos: estes são problemas dos Estados Unidos, e precisamos nos unir como americanos para responder com a urgência necessária que o momento exige", continuou, numa nada discreta tentativa de envergonhar qualquer membro da oposição que se aventure a questionar seu projeto.

Com sombrias perspectivas de uma taxa de desemprego superior a 10% e uma recessão cada vez mais funda em 2009, a criação de empregos se destaca como "pilar fundamental" do plano da equipe de Barck Obama, segundo Lawrence Summers, escolhido para comandar o recém-criado Conselho Econômico Nacional da Casa Branca (White House National Economic Council).

"Nesta crise, fazer de menos representa uma ameaça muito maior do que fazer demais", escreveu Summers em um editorial no jornal The Washington Post.

oh/ap

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