Obama: retirada de tropas de combate no Iraque ocorrerá no prazo

Discurso faz parte de esforço da Casa Branca para mostrar que presidente cumpre promessas, de olho nas eleições de meio de mandato

iG São Paulo |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira que a retirada de tropas de combate no Iraque ocorrerá "conforme o prometido e dentro do prazo". A afirmação foi feita durante discurso na Convenção dos Veteranos Americanos Deficientes por causa da Guerra, em Atlanta, Geórgia, o primeiro de uma série de eventos nos quais ele e o vice-presidente, Joe Biden, tentarão chamar a atenção para os "progressos" feitos no Iraque.

"Como candidato à presidência, prometi levar a guerra no Iraque a um fim responsável", disse Obama. "Pouco depois de tomar posse, anunciei nossa nova estratégia para o Iraque e para a transição para uma responsabilidade integralmente iraquiana. E deixei claro que até 31 de agosto de 2010 as operações de combate dos EUA no Iraque acabarão. E é exatamente isso que estamos fazendo, como prometido, dentro do prazo."

Reuters
Obama acena para público antes de discurso em Atlanta

Pelo cronograma definido por Obama, após o dia 31 de agosto cerca de 50 mil militares continuarão no Iraque para treinar as tropas do país, realizar operações antiterrorismo e oferecer segurança aos diplomatas americanos. No fim de 2011, todos os militares dos EUA voltariam para casa.

"A dura verdade é que ainda não vimos o fim do sacrifício americano no Iraque", afirmou Obama. "Mas não tenham dúvidas: nosso comprometimento no Iraque está mudando de um esforço militar liderado por nossas tropas para um esforço civil liderado por nossos diplomatas."

O discurso de Obama faz parte de um esforço da Casa Branca para mostrar que o presidente está cumprindo uma de suas principais promessas de campanha: pôr fim à Guerra do Iraque. Com as eleições legislativas estaduais marcadas para Novembro, o Partido Democrata quer mostrar o progresso em direção à retirada do Iraque como "uma história de sucesso".

"A mensagem é: quando o presidente promete alguma coisa, ele cumpre", disse o porta-voz da Casa Branca, Bill Burton, a repórteres que acompanharam Obama até a Geórgia no avião presidencial.

No discurso desta segunda-feira, Obama também falou rapidamente sobre o Afeganistão. "Nós enfrentamos enormes desafios", disse o presidente. "Mas é importante que o povo americano saiba que estamos fazendo progresso e que estamos focados nos nossos objetivos, que são claros e viáveis."

Vítimas

O anúncio do governo americano foi feito no momento em que Washington e Bagdá se desentendem em relação ao número de mortos no conflito iraquiano.

No fim de semana, o governo iraquiano afirmou que 535 pessoas morreram em ataques em julho - o nível mais alto de violência em mais de dois anos no país. O governo americano afirma que o número de mortos foi 222. Entretanto, nenhuma razão foi oferecida para explicar por que os números provenientes de ambas as fontes são tão diferentes.

Depois que o governo iraquiano divulgou suas estatísticas, analistas interpretaram o aumento da violência no país à incerteza criada pelo vácuo político desde as eleições de março deste ano. Os grupos vencedores ainda não chegaram a um acordo sobre quem deverá ser o primeiro-ministro do país.

A eleição, no dia 7 de março, terminou com a vitória da coalizão liderada pelo ex-premiê Iyad Allawi, que conquistou 91 cadeiras no Parlamento. Já o bloco do atual primeiro-ministro iraquiano, Nouri Al-Maliki, conquistou duas cadeiras a menos. Ambos os grupos ficaram bastante aquém dos 163 parlamentares necessários para formar um governo.

Segundo a site independente www.iraqbodycount.org, cerca de 100 mil civis morreram no país de mortes violentas desde a invasão do país por forças lideradas pelos Estados Unidos, em 2003.

Com AP e The New York Times

    Leia tudo sobre: obamaguerraafeganistãoiraque

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG